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Corinthians e Vasco empatam no primeiro jogo da final da Copa do Brasil
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O primeiro capítulo da decisão da Copa do Brasil de 2025 terminou sem gols. Em partida disputada na Neo Química Arena, na noite desta quarta-feira (17), Corinthians e Vasco empataram em 0 a 0, deixando a disputa pelo título completamente aberta para o jogo de volta. O resultado frustrou a torcida corintiana, que esperava uma vitória em casa para levar vantagem para o Rio de Janeiro.
Com o placar zerado, a final será decidida no próximo domingo (21.12), às 18h (de Brasília), no gramado do Maracanã. Em caso de novo empate no placar agregado, o campeão será conhecido após uma disputa de pênaltis.
O jogo
A etapa inicial foi marcada por muita marcação e poucas chances claras para ambos os lados. O Corinthians, mesmo jogando em seus domínios, teve dificuldades para criar jogadas e furar a defesa bem postada do Vasco. A primeira oportunidade alvinegra surgiu aos 12 minutos, em um chute de Bidon que, contudo, não encontrou o alvo.
O Vasco, por sua vez, chegou a balançar as redes aos 18 minutos. Após uma boa triangulação, Rayan apareceu livre e finalizou na saída do goleiro Hugo Souza. No entanto, o gol foi prontamente anulado pela arbitragem devido a impedimento, para alívio da torcida corintiana. O Timão ainda tentou responder em jogadas aéreas, com Yuri Alberto e Memphis Depay tendo gols anulados também por impedimento.
Vasco quase marca e Corinthians acorda no final
A equipe de Dorival Júnior não conseguiu engrenar após o intervalo, acumulando erros e sem conseguir ameaçar o gol de Léo Jardim. O Vasco, por outro lado, conseguiu encaixar algumas jogadas e esteve muito perto de abrir o placar aos 21 minutos, quando Barros cabeceou forte e acertou a trave, levantando a torcida vascaína presente na Arena.
O Corinthians só conseguiu testar o goleiro adversário aos 35 minutos, em uma triangulação entre Matheus Bidu, Memphis e Yuri Alberto. O chute do camisa 9 parou em uma defesa espetacular de Léo Jardim, mas a jogada já havia sido paralisada por impedimento.
Com o 0 a 0 no placar, a decisão promete ser ainda mais eletrizante no Maracanã, com ambas as equipes tendo a chance de levantar o troféu.
Próximo Jogo da Final:
- Confronto: Vasco x Corinthians (Jogo de Volta da Final da Copa do Brasil)
- Data e Horário: 21 de dezembro (domingo), às 18h (de Brasília)
- Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
FICHA TÉNCIA
Corinthians 0 x 0 Vasco
| Competição | Copa do Brasil (ida da final) |
| Local | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| Data | 17 de dezembro de 2025 (quarta-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Público | 47.339 torcedores |
| Renda | R$ 5.469.214,00 |
Arbitragem
| Função | Nome |
|---|---|
| Árbitro | Rafael Rodrigo Klein (RS) |
| Assistentes | Guilherme Dias Camilo (MG) e Rafael da Silva Alves (RS) |
| VAR | Daniel Nobre Bins (RS) |
Cartões
| Tipo de Cartão | Time | Jogadores |
|---|---|---|
| Amarelos | Vasco | Robert Renan |
| Corinthians | Raniele, Vitinho | |
| Vermelhos | Nenhum | Nenhum |
Escalações
| Time | Jogadores | Técnico |
|---|---|---|
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (Vitinho), José Martínez (Carrillo), Breno Bidon (Maycon) e Garro (André); Memphis Depay (Dieguinho) e Yuri Alberto. | Dorival Júnior |
| Vasco | Léo Jardim; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan e Puma Rodríguez; Cauan Barros, Thiago Mendes e Philippe Coutinho (Matheus França); Nuno Moreira (Vegetti), Andrés Goméz e Rayan. | Fernando Diniz |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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