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Flamengo garante vaga na final da Copa Intercontinental após vitória sobre o Pyramids

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O Flamengo carimbou seu passaporte para a grande final da Copa Intercontinental neste sábado (12.12), ao superar o Pyramids, do Egito, por 2 a 0. Em partida válida pela Challenger Cup, disputada no Estádio Ahmad bin Ali, no Catar, os gols dos zagueiros Léo Pereira e Danilo garantiram a presença rubro-negra na decisão contra o poderoso Paris Saint-Germain, da França.

A equipe carioca, que já tem um calendário exaustivo com 73 jogos no ano, entrou em campo com algumas peças poupadas, mas não deixou de impor seu ritmo. Com maior posse de bola, o Flamengo ditou as ações desde o apito inicial, enquanto o Pyramids apostava em uma postura mais reativa, buscando os contra-ataques.

O jogo

Apesar da dominância, a primeira grande oportunidade veio de um voleio de Cebolinha, que parou na defesa egípcia. A solução para abrir o placar, contudo, veio da bola parada e da precisão de Arrascaeta. Aos 23 minutos do primeiro tempo, o camisa 14 cobrou uma falta lateral perfeita, encontrando Léo Pereira, que subiu com autoridade para cabecear e fazer 1 a 0. Foi o sexto gol do zagueiro na temporada.

No entanto, o final da etapa inicial reservou um susto para a torcida flamenguista. O Pyramids aproveitou momentos de desatenção rubro-negra e criou duas chances claras de empate. Na mais perigosa delas, Mayele ficou cara a cara com Rossi, mas o goleiro argentino realizou uma defesa milagrosa, mantendo a vantagem mínima antes do intervalo.

O segundo tempo trouxe a tranquilidade que o Flamengo buscava. E novamente, a fórmula foi a mesma: bola parada e a genialidade de Arrascaeta. Logo aos 6 minutos, o uruguaio cobrou mais uma falta com maestria, desta vez na segunda trave, onde Danilo apareceu livre para cabecear com força e ampliar para 2 a 0. O gol sacramentou a noite de gala do meio-campista, que alcançou a impressionante marca de 45 participações em gols no ano, com 20 assistências. Todos os quatro gols do Flamengo nesta Copa Intercontinental tiveram a participação direta de Arrascaeta, que já havia marcado duas vezes contra o Cruz Azul.

Com a vantagem confortável, o Flamengo controlou o ritmo da partida, administrando o resultado. Rossi ainda realizou mais uma boa intervenção, e Pedro, que retornou de lesão e entrou no final do jogo, quase deixou sua marca. A vitória consolidou a vaga na final.

Agora, o Rubro-Negro se prepara para o grande desafio contra o Paris Saint-Germain, atual campeão europeu. A decisão da Copa Intercontinental está marcada para a próxima quarta-feira (17), às 14h (horário de Brasília), novamente no Estádio Ahmad bin Ali, onde Flamengo e PSG definirão o campeão.

FICHA TÉCNICA
                                                           Flamengo 2 x 0 Pyramids
Competição Semifinal da Copa Intercontinental 2025 – Challenger Cup
Local Estádio Ahmad bin Ali, Al Rayyan (Catar)
Data 13 de dezembro de 2025 (sábado)
Horário 14h (de Brasília)
Cartões Amarelos (Flamengo) Nenhum
Cartões Amarelos (Pyramids) Marei, Atef e Zalaka
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Abdulrahman Al-Jassim (Catar)
Assistentes Taleb Al Marri (Catar) e Saoud Ahmed Almaqaleh (Catar)
VAR Al Marri Khamis
Gols Léo Pereira (23′ 1ºT), Danilo (6′ 2ºT)
 Flamengo Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar, Jorginho (De la Cruz) e Arrascaeta; Carrascal (Pedro), Plata e Everton Cebolinha (Bruno Henrique)
Técnico Filipe Luís
 Pyramids El Shenawy; Chibi, Marei, Samy e Mohamed Hamdi; Lasheen, Atef (Hamdy), Touré (Reda), Zalaka (Fathy) e Ziko (Ewerton); Mayele
Técnico Krunoslav Jurcic

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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