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Vasco vence Fluminense com gol nos acréscimos e leva vantagem na Copa do Brasil

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Em um clássico eletrizante válido pela partida de ida das semifinais da Copa do Brasil, o Vasco da Gama conquistou uma vitória crucial por 2 a 1 sobre o Fluminense na noite desta quinta-feira (11.12), no Maracanã. O gol da virada vascaína, marcado por Vegetti nos momentos finais do segundo tempo, coloca o Cruzmaltino em posição confortável para o jogo de volta.

O Tricolor das Laranjeiras abriu o placar na primeira etapa com Serna, mas o Vasco demonstrou resiliência, buscando o empate com Rayan no início do segundo tempo, antes da consagração do artilheiro argentino.

O jogo

O confronto começou em ritmo acelerado, com chances para ambos os lados. Logo no primeiro minuto, o Fluminense assustou com Andrés Gómez, que não conseguiu aproveitar uma falha da defesa vascaína. Pouco depois, Lucho Acosta tabelou com Serna e finalizou com perigo sobre o travessão de Léo Jardim.

O Vasco respondeu à altura. Aos 15 minutos, Puma Rodríguez invadiu a área e, após driblar Fábio, viu Thiago Silva intervir providencialmente para evitar o gol. No entanto, foi o Fluminense quem inaugurou o marcador aos 21 minutos. Em jogada de contra-ataque, Everaldo foi lançado e driblou Léo Jardim fora da área, que cometeu a falta. Na cobrança ensaiada, René lançou para Thiago Silva cabecear, e Serna, bem posicionado na área, finalizou no canto esquerdo, colocando o Tricolor à frente.

Após o gol, o Fluminense adotou uma postura mais cautelosa, recuando suas linhas e buscando os contra-ataques. O Vasco tentou pressionar, mas encontrou dificuldades para romper a defesa adversária, com a primeira etapa terminando com a vantagem mínima para o Fluminense.

Virada dramática no segundo tempo

A etapa final começou com o Vasco determinado a mudar o cenário. E a igualdade veio rapidamente, aos quatro minutos: Puma Rodríguez cruzou da esquerda, a bola passou por Nuno Moreira e chegou a Rayan, que finalizou com força para estufar as redes e incendiar o Maracanã.

O gol deu novo ânimo ao Cruzmaltino, que quase virou quatro minutos depois, novamente com Rayan e Puma Rodríguez. O Vasco seguiu dominando as ações e, aos 24 minutos, Philippe Coutinho cobrou um escanteio que resultou em cabeceio de Puma Rodríguez na trave, aumentando a pressão sobre a meta de Fábio.

A insistência vascaína foi recompensada de forma dramática aos 47 minutos. Após uma grande jogada individual de Rayan, Andrés Gómez cruzou da esquerda e Vegetti, mostrando oportunismo, subiu entre os zagueiros para cabecear e selar a virada, garantindo a vitória por 2 a 1.

Cenários para a volta

A decisão da vaga na final acontecerá no próximo domingo, 14 de dezembro de 2025, às 20h30 (de Brasília), novamente no Maracanã. O Vasco jogará com a vantagem do empate para avançar. Para o Fluminense, a classificação direta exige uma vitória por dois ou mais gols de diferença. Caso vença por apenas um gol, o Tricolor forçará a disputa de pênaltis.

O finalista deste confronto enfrentará o vencedor do duelo entre Corinthians e Cruzeiro, que se enfrentarão no mesmo domingo, um pouco mais cedo, às 18h (de Brasília), em São Paulo. No jogo de ida, em Minas Gerais, o Corinthians venceu por 1 a 0.

Jogo de Volta

  • Confronto: Fluminense x Vasco (Copa do Brasil – Semifinal, Volta)
  • Data e Horário: 14 de dezembro de 2025 (domingo), às 20h30 (horário de Brasília)
  • Local: Maracanã, Rio de Janeiro

                                                                         FICHA TÉCNICA 

Vasco 2 x 1 Fluminense
Competição Copa do Brasil (Semifinal – Ida)
Local Maracanã, Rio de Janeiro
Data 11 de dezembro de 2025 (quinta-feira)
Horário 20h (de Brasília)
Gols
  • Kevin Serna, aos 22’ do 1ºT (Fluminense)
  • Rayan, aos 4′ do 2ºT (Vasco)
  • Vegetti, aos 48′ do 2ºT (Vasco)
Cartões Amarelos Léo Jardim e Vegetti (Vasco)
Arbitragem
Árbitro Raphael Claus (SP)
Assistentes Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Alex Ang Ribeiro (SP)
VAR Daniel Nobre Bins (RS)
Escalações
Vasco Léo Jardim, Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan e Puma Rodríguez;
Thiago Mendes (Hugo Moura), Barros e Philippe Coutinho;
Andrés Gómez, Nuno Moreira (Vegetti) e Rayan.
Técnico: Fernando Diniz
Fluminense Fábio, Samuel, Thiago Silva, Freytes e Renê;
Martinelli, Nonato (Hércules) e Lucho Acosta (Paulo Henrique Ganso);
Yefferson Soteldo (Keno), Kevin Serna e Everaldo.
Técnico: Luis Zubeldía

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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