Política
Projeto de Nelson Barbudo é aprovado em comissão e avança para simplificar o crédito para a agricultura familiar
Política
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) aprovou ontem o Projeto de Lei 2913/2025, de autoria do deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT), que cria a CPR Simplificada para a agricultura familiar. A proposta é considerada um avanço importante para reduzir burocracias, diminuir custos e ampliar o acesso ao crédito para pequenos produtores rurais em todo o país.
A Cédula de Produto Rural (CPR) é um dos principais instrumentos usados para garantir operações de financiamento no campo. Porém, para pequenos agricultores, o processo de emissão é muitas vezes complexo e oneroso.
O PL 2913/2025 muda esse cenário ao permitir que a CPR dos agricultores familiares seja emitida de forma muito mais simples, rápida e sem taxas de registro.
Segundo o texto aprovado, a versão simplificada mantém a segurança jurídica da CPR tradicional, mas elimina etapas burocráticas que hoje encarecem e dificultam o acesso ao crédito para quem produz em menor escala.
Com a aprovação, agricultores familiares poderão formalizar operações de crédito sem enfrentar gastos extras com cartórios ou registros obrigatórios. Isso representa economia e agilidade, especialmente para quem tem estrutura reduzida e depende de financiamentos para manter a produção ativa.
“Esse projeto dá mais dignidade e autonomia ao pequeno produtor, que muitas vezes não consegue crédito por causa da papelada e dos custos envolvidos”, afirmou o deputado Nelson Barbudo. “A CPR Simplificada é uma ferramenta que coloca o agricultor familiar no centro das políticas de desenvolvimento rural e garante que ele tenha condições reais de continuar produzindo.”
Benefícios diretos para o campo
A proposta aprovada deve trazer impactos imediatos para o setor. Entre os principais benefícios estão:
• Redução da burocracia
• Emissão mais rápida e acessível
• Eliminação de taxas de registro
• Aumento da segurança das operações
• Inclusão financeira para pequenos produtores
Para Barbudo, a medida não apenas facilita o dia a dia no campo, mas fortalece a economia local. “Quando o agricultor tem crédito com facilidade e segurança, ele investe, produz mais, gera renda e movimenta toda a região”, disse o deputado.
O PL 2913/2025 ainda precisa ser analisado por outras comissões da Câmara antes de seguir para as fases finais de tramitação. O deputado Nelson Barbudo, junto da Frente Parlamentar da Agropecuária, segue trabalhando para que o texto avance e seja aprovado plenamente.
“Vamos seguir firmes, porque esse projeto é uma vitória do pequeno produtor é uma ferramenta importante para fortalecer a agricultura familiar no Brasil”, afirmou Barbudo.
A criação da CPR Simplificada é vista por especialistas como um passo decisivo para modernizar o acesso ao crédito rural e fortalecer a agricultura familiar, setor responsável por grande parte dos alimentos consumidos no país.
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Grupos reflexivos ganham reforço com capacitação promovida pelo TJMT
Com o objetivo de ampliar e qualificar as ações de enfrentamento à violência contra a mulher, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) iniciou nesta terça-feira (17) a Capacitação de Facilitadores do Programa de Reflexão e Sensibilização para Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A atividade reúne cerca de 100 participantes, entre magistrados, servidores, psicólogos, assistentes sociais e representantes de instituições parceiras, na Escola dos Servidores do Poder Judiciário.
A capacitação busca fornecer subsídios para que as equipes multidisciplinares implantem e fortaleçam, nas comarcas, espaços de escuta, reflexão e responsabilização de homens envolvidos em episódios de violência doméstica, contribuindo para a interrupção dos ciclos de agressão e para a construção de relações mais igualitárias.
A abertura foi conduzida pela coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, que destacou o desafio e a relevância da atuação preventiva.
“A atuação do Tribunal de Justiça vai muito além do julgamento dos processos e tem compromisso com a transformação social. A capacitação dos profissionais que atuam nos grupos reflexivos é uma das estratégias mais importantes no enfrentamento à violência doméstica. Esses grupos são voltados aos autores de violência e têm apresentado resultados muito positivos, porque trabalham a reflexão, a sensibilização e a mudança de comportamento. Quando o agressor compreende a gravidade de seus atos e repensa suas atitudes, as chances de reincidência diminuem significativamente. Por isso, investir na formação contínua desses facilitadores significa investir na prevenção e na construção de uma sociedade mais segura para as mulheres”, comentou.
Durante o primeiro dia de atividades, os participantes acompanharam a palestra “Metodologias Ativas para o Trabalho em Grupos Reflexivos”, ministrada pelo pedagogo e mestre em Educação e Comunicação, Fernando de Assis Alves, servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo ele, o enfrentamento à violência exige mais do que transmitir conhecimento. “O conhecimento é a primeira dimensão e é importante que as pessoas saibam identificar situações e ciclos de violência. Mas é preciso desenvolver competências de média e alta complexidade, especialmente com homens que se envolvem nesse tipo de situação. Se ele não perceber que reproduz comportamentos violentos, dificilmente terá oportunidade de mudar”, explicou.
Fernando destacou que as metodologias ativas estimulam a autoavaliação e a autorreflexão dos participantes, tornando os grupos reflexivos ambientes seguros para a construção de novos comportamentos. “Se cuidarmos apenas da mulher, o que é imprescindível, mas não cuidarmos do homem, que é o vetor da violência, o ciclo dificilmente será interrompido. Precisamos atuar em todas as frentes”, completou.
Fernando de Assis Alves ressaltou que os grupos reflexivos exigem uma abordagem diferente das palestras tradicionais, já que a simples transmissão de informações não é suficiente para promover mudanças de comportamento. Segundo ele, é necessário criar ambientes seguros e participativos, nos quais os homens possam reconhecer atitudes violentas, refletir sobre suas trajetórias e compreender como padrões culturais, como o machismo estrutural, influenciam suas relações familiares e sociais.
“A maioria das pessoas sabe que a violência é errada, mas mudar comportamentos exige sensibilização, autoavaliação e a capacidade de enxergar a própria responsabilidade dentro desse ciclo”, afirmou.
O palestrante também defendeu que o enfrentamento à violência doméstica deve começar ainda na infância, por meio da educação para o respeito e a equidade de gênero. Para ele, investir na formação das novas gerações é uma das estratégias mais eficazes para romper ciclos históricos de violência. Fernando destacou ainda que os facilitadores precisam estar preparados para lidar com homens que chegam aos grupos em postura defensiva ou resistentes à mudança, utilizando metodologias que estimulem a escuta, o diálogo e a construção gradual de novas formas de convivência. “Não se trata apenas de apontar erros, mas de oferecer condições para que esses homens reconheçam seus comportamentos e possam escolher agir de maneira diferente”, pontuou.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, destacou que os grupos reflexivos representam uma oportunidade de transformação para os homens que ingressam no sistema de Justiça.
“O grupo reflexivo vem para dar tratamento a esse homem que, infelizmente, entrou no sistema. Ele cometeu um erro, mas não merece continuar nessa condição de agressor. Merece refletir sobre seus atos, reconhecer que errou e tentar ser uma pessoa melhor”, afirmou.
Ela lembrou ainda que Mato Grosso é referência nacional na implementação desses grupos e que o Tribunal de Justiça mantém facilitadores próprios e parcerias com prefeituras e a Polícia Civil para ampliar o alcance da iniciativa.
Reflexão que transforma
Entre os participantes está o delegado Jefferson Dias Chaves, da Polícia Civil, colaborador do projeto “Papo de Homem para Homem”, desenvolvido desde 2014 e fortalecido a partir de 2022 por meio de parceria com o TJMT e a Cemulher.
Segundo ele, a principal mudança foi tornar obrigatória a participação dos autores de violência encaminhados pela Justiça. “Nós estamos tratando o protagonista da violência, que é o homem. Após a parceria com o Tribunal, mais de dois mil homens já participaram do projeto e, desse total, não houve nenhum caso de feminicídio. Além disso, 95% deles nunca mais retornaram a uma delegacia”, destacou.
Para o delegado, a iniciativa demonstra que o Judiciário vai além da função de julgar. “O Tribunal tem feito um trabalho fantástico, capacitando profissionais e trazendo novas abordagens. Isso fortalece as ações que desenvolvemos e nos ajuda a aprimorar ainda mais esse enfrentamento”, avaliou.
A psicóloga Taila Vitória Ferreira Damasceno, da Comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade, atua diretamente nos grupos reflexivos e observa mudanças significativas nos participantes ao longo dos encontros.
“Quando eles chegam, geralmente vêm revoltados e resistentes. Aos poucos, mostramos que estamos ali para acolher, mas também para fazê-los compreender que houve um crime e que aquele comportamento é inadmissível”, explicou.
Segundo ela, é a partir dos encontros que abordam temas como patriarcado, masculinidades e os impactos da violência sobre os filhos que muitos participantes começam a revisitar a própria história.
“Eles passam a se identificar e percebem que também vieram de um histórico de violência. É nesse momento que começam a refletir sobre suas atitudes. Nós acreditamos que os grupos têm resultados positivos e percebemos isso na prática, porque não temos reincidência entre os participantes dos grupos realizados este ano em nossa comarca”, relatou.
A programação segue até sexta-feira (19), com atividades voltadas à formação sobre “Masculinidades”, “Metodologias de grupos reflexivos” e palestras sobre violência doméstica e feminicídio, reforçando o compromisso do Poder Judiciário mato-grossense com a prevenção da violência e a promoção de uma cultura de paz e respeito às mulheres.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Anderson Borges
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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