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Fortaleza vence Atlético-MG e acende luta contra o rebaixamento no Brasileirão

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Em um duelo crucial pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Fortaleza conquistou uma vitória magra, porém valiosíssima, sobre o Atlético-MG por 1 a 0, na noite deste domingo, na Arena Castelão. O resultado reacende as esperanças do Leão do Pici na reta final da competição, colocando-o a apenas um ponto de distância dos primeiros clubes fora da zona de rebaixamento.

Com os três pontos somados, o time cearense alcançou 40 pontos, ocupando agora a 18ª posição. A diferença para Santos (16º) e Internacional (17º), que ainda se esforçam para evitar a degola, é mínima, prometendo um final de temporada eletrizante. Para o Atlético-MG, a derrota significou a perda da chance de escalar posições na tabela, mantendo-se na 13ª colocação com 45 pontos.

O jogo

O confronto começou com um Fortaleza mais agressivo e determinado. O Leão pressionou desde os primeiros minutos, criando oportunidades perigosas. Breno Lopes quase abriu o placar, mas encontrou um Éverson inspirado no gol adversário e, no rebote, viu a bola carimbar a trave. A persistência tricolor foi recompensada aos 41 minutos da primeira etapa: Diogo Barbosa avançou pela lateral, cruzou com precisão para Bareiro, que, com um toque de letra elegante, ajeitou para Pochettino. O meio-campista finalizou com firmeza de dentro da área, balançando as redes e colocando o Fortaleza em vantagem.

O Galo tentou uma resposta imediata, e Ruan Tressoldi teve uma finalização perigosa nos acréscimos, mas o goleiro Brenno garantiu a vantagem para o time da casa.

No segundo tempo, a partida ganhou em intensidade e perdeu em fluidez. As equipes travaram um meio-campo disputado, com poucas chances claras de gol para ambos os lados. O Atlético-MG ameaçou em chutes de longa distância com Brenard e Biel, mas Brenno se mostrou seguro e impediu qualquer alteração no placar. Pelo lado do Fortaleza, Moisés teve a chance de sacramentar a vitória aos 34 minutos, em um contra-ataque veloz, mas demorou a finalizar, permitindo que a defesa adversária desarmasse a jogada.

Próximos desafios

A emoção segue à flor da pele para ambos os clubes na próxima rodada do Brasileirão.

Fortaleza:

  • Jogo: Fortaleza x Corinthians
  • Data e Horário: 3 de dezembro (quarta-feira) | 19h (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Brasileiro
  • Local: Arena Castelão

Atlético-MG:

  • Jogo: Atlético-MG x Palmeiras
  • Data e Horário: 3 de dezembro (quarta-feira) | 21h30 (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Brasileiro
  • Local: Arena MRV
FICHA TÉCNICA
                                               Fortaleza 1 x 0 Atlético-MG
Competição Campeonato Brasileiro
Local Arena Castelão, em Fortaleza (CE)
Data 30 de novembro de 2025 (quarta-feira)
Horário 18h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos Fortaleza: (nenhum); Atlético-MG: Júnior Alonso
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
  • Árbitro: Davi De Oliveira Lacerda (ES)
  • Assistentes: Marcia Bezerra Lopes Caetano (RO) e Douglas Pagung (ES)
  • VAR: Heber Roberto Lopes (SC)
Gols   Tomas Pochettino, aos 41′ do 1ºT (Fortaleza)
Escalação Fortaleza
  • Brenno
  • Mancuso
  • Brítez
  • Avila
  • Diogo Barbosa
  • Herrera (Pikachu)
  • Pierre (Matheus Pereira)
  • Sasha
  • Pochettino (Moisés)
  • Bareiro (Deyverson)
  • Breno Lopes (Crispim)

Técnico: Martín Palermo

Escalação Atlético-MG
  • Éverson
  • Ruan Tressoldi (Saravia)
  • Vitor Hugo
  • Júnior Alonso
  • Alan Franco
  • Igor Gomes
  • Alexander (Scarpa)
  • Arana (Cadu)
  • Bernard (Menino)
  • Dudu
  • Hulk (Biel)

Técnico: Jorge Sampaoli

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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