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Palmeiras conquista Copa do Brasil Feminina inédita 

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O Palmeiras fez história na tarde desta quinta-feira ao erguer o troféu da Copa do Brasil Feminina, um título inédito de caráter nacional, após uma vitória emocionante sobre a Ferroviária por 4 a 2. O confronto, realizado em jogo único na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, consagrou as Palestrinas, que demonstraram garra e eficiência para superar as Guerreiras Grenás.

Os gols que selaram a conquista palmeirense foram marcados por Amanda Gutierres, Brena, Tainá Maranhão e Greicy. Pelo lado da Ferroviária, Andressa e Raquel balançaram as redes, mas não foi o suficiente para impedir a festa alviverde.

Esta taça representa um marco significativo para a equipe feminina do Palmeiras, sendo seu primeiro título de abrangência nacional. No currículo do time, já constam importantes conquistas como o Campeonato Paulista (2001, 2022 e 2024), a Copa Paulista (2019 e 2021), e a prestigiada Copa Libertadores (2022).

O jogo

A partida foi repleta de reviravoltas e momentos de alta tensão. Amanda Gutierres abriu o placar para o Palmeiras aos 22 minutos do primeiro tempo, aproveitando um cruzamento de Raissa Bahia após belo lançamento de Pati Maldaner. A artilheira cabeceou com precisão, colocando as Palestrinas em vantagem.

A Ferroviária buscou o empate ainda na etapa inicial. Duda Santos cobrou falta na área, e Andressa testou firme, sem chances para a goleira Kate Tapia. No entanto, o Palmeiras não se abateu e, nos acréscimos, Brena recolocou o Verdão à frente, aproveitando um rebote de Luciana após chute de Amanda Gutierres.

No segundo tempo, a emoção continuou. Uma revisão do VAR confirmou um pênalti a favor do Palmeiras após Tainá Maranhão ser derrubada na área por Fátima. A própria Tainá cobrou e converteu, ampliando a vantagem para 3 a 1. Aos 34 minutos, o Verdão consolidou a vitória com um golaço de Greicy, que recuperou a bola após erro de Fátima e finalizou com maestria. Já nos acréscimos, Raquel diminuiu para a Ferroviária, mas o placar de 4 a 2 permaneceu até o apito final, confirmando o título para o Palmeiras.

Reencontro no Campeonato Paulista

Não haverá tempo para a Ferroviária lamentar, nem para o Palmeiras celebrar por muito tempo. As duas equipes voltarão a se enfrentar já neste domingo, 23 de novembro, às 11 horas (horário de Brasília), pela semifinal do Campeonato Paulista Feminino. O palco será novamente a Arena Fonte Luminosa, prometendo mais um embate eletrizante entre as duas potências do futebol feminino paulista.

FICHA TÉCNICA

FERROVIÁRIA 2 X 4 PALMEIRAS

Competição: Copa do Brasil Feminina (Final)

Local: Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)

Data: 20 de novembro de 2025 (quinta-feira)

Horário: 15h30 (de Brasília)

Cartões Amarelos: Fê Palermo, Ingryd e Brena (Palmeiras)

Arbitragem:

  • Árbitra: Daiane Muniz
  • Assistentes: Anne Kesy Gomes de Sa e Gizeli Casaril

Gols:

  • Amanda Gutierres, aos 22′ do 1°T (Palmeiras)
  • Andressa, aos 38′ do 1°T (Ferroviária)
  • Brena, aos 47′ do 1°T (Palmeiras)
  • Tainá Maranhão, aos 4′ do 2°T (Palmeiras)
  • Greicy, aos 34′ do 2°T (Palmeiras)
  • Raquel, aos 48′ do 2°T (Ferroviária)

Escalações:

Ferroviária: Luciana; Kati, Rafa Soares (Sissi), Andressa e Camila; Fátima Dutra, Nicoly, Duda e Micaelly (Raquel); Vendito (Mylena Carioca) e Júlia Beatriz (Mariana Santos). Técnico: Léo Mendes

Palmeiras: Kate Tapia; Poliana, Fê Palermo, Pati Maldaner e Ingryd (Espinales); Andressinha (Diany), Brena, Raíssa Bahia (Greicy) e Rhay Coutinho (Ana Guzmán); Amanda Gutierres e Tainá Maranhão. Técnica: Rosana Augusto

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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