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Cuiabá luta contra chuva e arranca empate com América fora de casa pela Série B
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Em uma partida marcada pela intensidade inicial e pelas condições climáticas adversas, o Cuiabá conquistou um empate em 1 a 1 com o América, neste domingo (16), em Belo Horizonte, pela penúltima rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O resultado manteve o Dourado na 11ª colocação da tabela, com 51 pontos, uma posição acima do Coelho, que chegou aos 46. Com as equipes já sem chances de acesso ou rebaixamento, o confronto no Independência serviu para cumprir tabela, mas não faltou emoção.
O início da partida mostrou um Cuiabá proativo. Logo nos primeiros minutos, o Dourado tomou a iniciativa com Nino Paraíba, que buscou o ataque, embora a defesa adversária tenha interceptado a jogada. Aos 8 minutos, o goleiro Cássio, do América, precisou se esticar para fazer uma defesa crucial em um chute perigoso de Carlos Alberto, demonstrando a intenção ofensiva do time mato-grossense.
Contudo, a dinâmica do jogo foi drasticamente alterada por volta dos 15 minutos, quando a chuva apertou e deixou o gramado do Independência encharcado. A movimentação da bola tornou-se desafiadora, e a fluidez das jogadas ofensivas deu lugar a uma série de infrações e chutes longos. O Cuiabá, assim como o América, viu jogadores serem advertidos, com Max recebendo cartão amarelo ainda no primeiro tempo. Apesar das dificuldades impostas pelo campo pesado, o Dourado ainda conseguiu criar um lance de perigo aos 42 minutos, com David Miguel arriscando um chute rasteiro que passou muito próximo da trave, levando um susto à defesa americana.
Após um intervalo prolongado em 40 minutos para tentar amenizar os efeitos da água no campo, o Cuiabá voltou com tudo para a segunda etapa. A pressão surtiu efeito rapidamente: aos 3 minutos do segundo tempo, Carlos Alberto, um dos destaques do início do jogo, abriu o placar para o Dourado. Com um toque na saída do goleiro Cássio, a bola caprichosamente beijou a trave antes de balançar as redes, fazendo 1 a 0 para o time mato-grossense.
A alegria, porém, durou pouco. O América chegou à igualdade aos 12 minutos, com Willian Bigode deixando tudo igual. Ambas as equipes seguiram criando oportunidades, mas o placar não se alterou até o apito final. O empate por 1 a 1 selou o resultado em um jogo de muita luta e pouca inspiração técnica, muito por conta das condições climáticas adversas.
Para a última rodada da Série B, o Cuiabá terá o apoio de sua torcida ao receber o Criciúma em casa, buscando encerrar a temporada com uma vitória. Já o América visitará o Athletico Paranaense em Curitiba.
FICHA TÉCNICA
América 1 x 1 Cuiabá
Motivo: 37ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro
Data e Horário: domingo, 16 de novembro de 2025, às 16h30 (de Brasília)
Local: Arena Independência, em Belo Horizonte
Gols:
- América: Willian (12min do 2º Tempo)
- Cuiabá: Carlos Alberto (3min do 2º Tempo)
Cartões Amarelos:
- América: Rafa Silva (12min do 1º Tempo), Yago Souza (20min do 1º Tempo)
- Cuiabá: Max (25min do 2º Tempo)
Arbitragem:
- Árbitro: Edina Alves Batista (SP)
- Assistentes: Gizeli Casaril (SC) e Anne Kesy Gomes de Sa (AM)
- Quarto Árbitro: Andreza Helena de Siqueira (MG)
- VAR: Ilbert Estevam da Silva (SP)
América:
- Cássio
- Júlio
- Ricardo Silva (Arthur Sousa)
- Emerson
- Paulinho
- Felipe Amaral
- Kauã Diniz
- Yago Souza
- Thauan
- Willian ‘Dubgod’ (Guilherme Pato)
- Rafa Silva
- Técnico: Alberto Valentim
Cuiabá:
- Luan Poli
- Nathan Cardoso
- Calebe
- David
- Denilson
- Patrick de Lucca (Jadson)
- Sander
- Max
- Victor Barbosa (Eduardo Vinicius)
- Nino Paraíba
- Carlos Alberto (Asad)
- Técnico: Eduardo Barros
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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