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Flamengo vence Santos em jogo eletrizante no Maracanã, com drama no final

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O Flamengo conquistou uma vitória suada sobre o Santos por 3 a 2 na noite deste domingo (9), em uma partida válida pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. No Maracanã, o Rubro-Negro parecia ter o controle do placar, mas viu o Peixe esboçar uma reação dramática nos minutos finais, transformando o que seria um triunfo tranquilo em um teste para cardíacos.

Com o resultado, o Flamengo igualou a pontuação do líder Palmeiras, ambos com 68 pontos, embora o time paulista ainda tenha um jogo a disputar nesta rodada.

A equipe carioca começou o confronto buscando a posse de bola e ditando o ritmo, enquanto o Santos optava por uma postura mais defensiva, explorando contra-ataques. As chances do Flamengo surgiram, com Bruno Henrique e Arrascaeta flertando com o gol, até que Léo Pereira, aos 36 minutos do primeiro tempo, abriu o placar. Após cobrança de escanteio de Arrascaeta e um bate-rebate na área, o zagueiro flamenguista demonstrou categoria para estufar as redes, levando o 1 a 0 para o intervalo.

Na volta para a segunda etapa, o ímpeto ofensivo do Flamengo continuou. Logo aos cinco minutos, Carrascal ampliou. Em uma jogada bem trabalhada, Arrascaeta serviu o meia, que invadiu a área em velocidade e finalizou com força, sem chances para o goleiro Brazão. Pouco depois, uma oportunidade de ouro para selar a vitória foi desperdiçada: Bruno Henrique sofreu pênalti, confirmado pelo VAR, mas Arrascaeta acertou a trave.

Ainda assim, o Flamengo chegou ao terceiro gol. Cebolinha, que entrou no decorrer da partida, pressionou a saída de bola adversária, Igor Vinícius falhou e Bruno Henrique, atento, roubou a bola, driblou o goleiro e empurrou para o gol vazio, fazendo 3 a 0.

Quando a vitória parecia consolidada, o Santos reagiu com um fôlego surpreendente. Em dois minutos alucinantes, Gabriel Bontempo e Lautaro Díaz balançaram as redes, aproveitando falhas na defesa rubro-negra e levando o placar para 3 a 2. O susto final fez o Flamengo administrar a posse de bola nos acréscimos, garantindo os três pontos.

O próximo compromisso do Flamengo será no sábado (15), quando enfrentará o Sport na Arena de Pernambuco, em jogo atrasado da 12ª rodada.

FICHA TÉCNICA

Flamengo 3×2 Santos

Campeonato Brasileiro | 33ª Rodada

Local: Maracanã, RJ

Data e horário: 09/11/2025 às 18h30

Arbitragem: Savio Pereira Sampaio (DF), Rafael da Silva Alves (RS) e Thiaggo Americano Labes (SC)

Cartões amarelos: Samuel Lino (FLA), Neymar (SAN), Arrascaeta (FLA), Zé Ivaldo (SAN)

Gols: Léo Pereira (36’1ºT), Carrascal (5’2ºT), Gabriel Bontempo (43’2ºT) e Lautaro Díaz (45’2ºT).

Flamengo: Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Erick Pulgar (Evertton Araujo), De La Cruz (Saúl) e Arrascaeta (Michael); Carrascal (Luiz Araújo), Samuel Lino (Everton Cebolinha) e Bruno Henrique. Técnico: Filipe Luís.

Santos: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Zé Ivaldo, Luan Peres (Gabriel Bontempo) e Souza; João Schmidt, Willian Arão, Zé Rafael (Thaciano) e Barreal (Lautaro Díaz); Neymar (Rollheiser) e Guilherme (Robinho Jr.).
Técnico: Juan Vojvoda.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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