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Ousmane Dembélé conquista Bola de Ouro; Raphinha fica em 5º
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O atacante francês Ousmane Dembélé, de 28 anos, foi coroado o melhor jogador do mundo na temporada 2024/2025, recebendo a prestigiosa Bola de Ouro em uma cerimônia da revista France Football realizada nesta segunda-feira (22), no Théâtre du Châtelet, em Paris. Esta é a primeira vez que o craque do Paris Saint-Germain levanta o cobiçado troféu, marcando o ápice de uma temporada espetacular.
A vitória de Dembélé destaca-se ainda mais ao reforçar o longo período sem um atleta brasileiro no topo do futebol mundial. A última vez que um jogador do Brasil conquistou a Bola de Ouro foi em 2007, com Kaká, há 18 anos. Antes dele, ícones como Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999) e Ronaldinho Gaúcho (2005) já haviam sido laureados.
Emocionado, Dembélé expressou sua gratidão e surpresa ao receber a honraria. “Que noite excepcional que estou vivendo. Realmente estou sem palavras. Foi uma temporada fantástica com o PSG. Aconteceram inúmeras coisas durante a minha carreira. Estou bem nervoso. Só de pensar que esse troféu ia ser entregue pelo Ronaldinho, uma lenda do futebol, me deixa sem palavras. Tenho muito orgulho de tudo o que eu fiz e já alcancei durante a minha carreira”, declarou o camisa 10.
A temporada de Dembélé com o Paris Saint-Germain foi histórica. Ele foi a peça chave na conquista inédita da Liga dos Campeões pelo clube, sendo eleito o melhor jogador da competição após a goleada por 5 a 0 sobre a Inter de Milão na final. Além do título europeu, o craque francês também celebrou as vitórias no Campeonato Francês e na Copa da França, consolidando uma tríplice coroa.
Raphinha surpreende no Top 5; Yamal Brilha em segundo lugar
Uma das grandes surpresas da premiação foi o quinto lugar do atacante brasileiro Raphinha. O jogador do Barcelona teve um ano impressionante, com 34 gols e 24 assistências em 57 partidas, contribuindo para as conquistas da LaLiga, Copa do Rei e Supercopa da Espanha. Na Liga dos Campeões, Raphinha foi artilheiro com 13 gols e líder em assistências com nove, mas sua equipe foi eliminada nas semifinais pela Inter de Milão. Pela seleção brasileira, contudo, seu desempenho na Copa América ficou abaixo do esperado, com a eliminação nas quartas de final.
A segunda colocação ficou com o prodígio Lamine Yamal, de apenas 18 anos. O espanhol também foi reconhecido com o Troféu Kopa, concedido ao melhor jogador sub-21 do mundo. Em 55 jogos, Yamal acumulou 18 gols e 25 assistências, participando ativamente das vitórias do Barcelona na LaLiga, Copa do Rei e Supercopa da Espanha.
Confira o Top 10 da Bola de Ouro 2025: 1º Ousmane Dembélé 2º Lamine Yamal 3º Vitinha 4º Mohamed Salah 5º Raphinha 6º Achraf Hakimi 7º Kylian Mbappé 8º Cole Palmer 9º Gianluigi Donnarumma 10º Nuno Mendes
Outros destaques de gala
A cerimônia também premiou outros talentos e iniciativas do futebol. O Troféu Gerd Müller, que condecora o maior artilheiro da temporada, foi para Viktor Gyökeres. O sueco do Sporting balançou as redes 54 vezes e distribuiu 13 assistências em 52 jogos, sendo campeão do Campeonato Português e da Taça de Portugal. No futebol feminino, Ewa Pajor, do Barcelona, destacou-se com 42 gols e 14 assistências em 46 partidas.
O Prêmio Sócrates, que reconhece ações humanitárias e sociais, foi entregue à Fundação Xana, nomeada em homenagem à falecida filha de Luis Enrique, técnico do PSG. A fundação oferece apoio emocional, físico e financeiro a crianças e jovens em tratamento de doenças graves e suas famílias, promovendo dignidade durante períodos difíceis.
Outras premiações do futebol masculino:
- Troféu Kopa masculino: Lamine Yamal
- Troféu Johan Cruyff masculino: Luis Enrique
- Troféu Yashin masculino: Gianluigi Donnarumma
- Clube do ano masculino: Paris Saint-Germain
Confira o Top 30 da Bola de Ouro 2025:
- 1º- Dembélé (PSG e França)
- 2º – Yamal (Barcelona e Espanha)
- 3º- Vitinha (PSG e Portugal)
- 4º- Salah (Liverpool e Egito)
- 5º- Raphinha (Barcelona e Brasil)
- 6º- Hakimi (PSG e Marrocos)
- 7º- Mbappé (Real Madrid e França)
- 8º- Palmer (Chelsea e Inglaterra)
- 9º- Donnarumma (PSG e Itália)
- 10º- Nuno Mendes (PSG e Portugal)
- 11º – Pedri (Barcelona e Espanha)
- 12º – Kvaratskhelia (PSG e Geórgia)
- 13º – Kane (Bayern de Munique e Inglaterra)
- 14º – Doué (PSG e França)
- 15º – Gyökeres (Sporting/Arsenal e Suécia)
- 16º – Vini Jr (Real Madrid e Brasil)
- 17º – Lewandowski (Barcelona e Polônia)
- 18º – McTominay (Napoli e Escócia)
- 19º – João Neves (PSG e Portugal)
- 20º – Lautaro Martínez (Inter de Milão e Argentina)
- 21º – Guirassy (Borussia Dortmund e Guiné)
- 22º – Mac Allister (Liverpool e Argentina)
- 23º – Bellingham (Real Madrid e Inglaterra)
- 24º – Fabián Ruíz (PSG e Espanha)
- 25º – Dumfries (Inter de Milão e Holanda)
- 26º – Haaland (Manchester City e Noruega)
- 27º – Rice (Arsenal e Inglaterra)
- 28º – Van Djik (Liverpool e Holanda)
- 29º – Wirtz (Bayer Leverkusen/Liverpool e Alemanha)
- 30º – Olise (Bayern de Munique e França)
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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