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Brasil vence Chile por 3 a 0; Estêvão faz 1º gol na Seleção
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Em uma noite de testes e celebração no Maracanã, a Seleção Brasileira garantiu uma vitória convincente de 3 a 0 sobre o Chile, na penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo. O jogo foi marcado pela performance promissora de jovens talentos e pela estratégia do técnico Carlo Ancelotti de dar rodagem a novas peças no elenco.
O grande destaque da partida foi o jovem Estêvão, uma das apostas de Ancelotti no time titular, que balançou as redes pela primeira vez com a camisa Amarelinha. Os outros gols foram anotados por Lucas Paquetá e Bruno Guimarães, consolidando o placar.
Apesar de o Brasil já estar classificado para o Mundial, a partida serviu como importante laboratório para o treinador. O jogo desta quinta-feira pode, inclusive, ter sido o último da Seleção em solo brasileiro antes da Copa, já que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) negocia amistosos preparatórios que devem acontecer fora do país.
Primeiro Tempo
A Seleção iniciou o confronto em ritmo intenso. Logo aos quatro minutos, Casemiro chegou a abrir o placar de cabeça após cruzamento de Raphinha, mas o gol foi anulado por impedimento, frustrando a torcida. O Brasil continuou criando, mas a falta de eficiência nas finalizações persistia.
Aos 37 minutos, a rede finalmente balançou de forma válida. João Pedro acionou Douglas Santos, que serviu Raphinha. O jogador do Barcelona chutou para defesa do goleiro Vigoroux, mas no rebote, Estêvão, atento na pequena área, completou para o fundo do gol, marcando seu primeiro gol pela Seleção Principal e incendiando o Maracanã.
Antes do intervalo, um lance polêmico. O zagueiro chileno Maripán foi inicialmente expulso após uma suposta pisada em Wesley. Contudo, a intervenção do VAR reverteu a decisão, e o cartão vermelho foi substituído por um amarelo, mantendo o Chile com 11 jogadores.
Ancelotti Promove Mudanças e Consolida a Vitória
No segundo tempo, Ancelotti aproveitou a vantagem no placar e a classificação já garantida para testar novas combinações. As entradas de Luiz Henrique, Lucas Paquetá, Andrey Santos, Kaio Jorge e Richarlison não diminuíram o ritmo da equipe, que manteve a intensidade e a busca pelo ataque.
As substituições surtiram efeito rapidamente. Aos 26 minutos da etapa final, Luiz Henrique fez uma bela jogada individual pela linha de fundo e cruzou na medida para Lucas Paquetá, que cabeceou com precisão para ampliar o marcador, sem chances para o goleiro chileno.
Pouco depois, o Brasil chegou ao terceiro gol. Em uma jogada bem trabalhada, Bruno Guimarães tabelou com Luiz Henrique e, aproveitando o rebote de um chute de Richarlison na trave, completou para o gol, selando a vitória brasileira no Rio de Janeiro.
A Seleção Brasileira agora se prepara para o último compromisso das Eliminatórias, na próxima terça-feira, contra a Bolívia. A partida será disputada às 20h30 (de Brasília), na altitude de El Alto.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 3 X 0 CHILE
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Data: 04/09/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Alexis Herrera (VEN)
Assistentes: Lubin Torrealba (VEN) e Alberto Ponte (VEN)
VAR: Ángel Arteaga (VEN)
Gols: Estêvão, aos 37 do 1ºT, Lucas Paquetá, aos 26 do 2ºT, Bruno Guimarães, aos 30 do 2ºT (Brasil)
Cartões amarelos: Maripán (Chile); Casemiro (Brasil)
BRASIL: Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Andrey Santos), Bruno Guimarães e Raphinha (Richarlison); Martinelli (Lucas Paquetá), Estêvão (Luiz Henrique) e João Pedro (Kaio Jorge). Técnico: Carlo Ancelotti.
CHILE: Vigoroux; Iván Román, Paulo Díaz e Maripán; Hormazábal, Vicente Pizarro, Loyola (Echeverría) e Suazo; Cepeda (Assadi), Aravena (Maxi Gutiérrez) e Brereton Díaz (Tapia). Técnico: Nicolás Córdova
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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