Esportes

Flamengo vence Barcelona nos pênaltis e é bicampeão da Copa Intercontinental Sub-20 

Publicado em

Esportes

;

O Club de Regatas do Flamengo sagrou-se bicampeão da Copa Intercontinental Sub-20 neste sábado (23.08), em uma emocionante final disputada no Estádio do Maracanã. Em um duelo eletrizante contra o Barcelona, o Rubro-Negro prevaleceu na disputa por pênaltis por 6 a 5, após um empate de 2 a 2 no tempo regulamentar.

A partida, que colocou frente a frente duas das mais promissoras equipes do futebol mundial, teve reviravoltas e momentos de grande intensidade. O jovem Lorran abriu o placar para o Flamengo no primeiro tempo, acendendo a esperança da torcida carioca. No entanto, a equipe espanhola demonstrou resiliência, virando o jogo na etapa final com gols de Virgili e Cortes. Já nos acréscimos, em um lance de pura garra, Iago igualou para o time da Gávea, levando a decisão para as penalidades máximas.

O Roteiro de uma Final Dramática

O embate iniciou com ambas as equipes buscando o ataque. Aos 17 minutos do primeiro tempo, após um bate e rebate na área catalã, Lorran aproveitou a oportunidade e mandou para o fundo das redes, colocando o Flamengo em vantagem. O Barcelona reagiu, mas encontrou dificuldades para furar a defesa rubro-negra. Aos 29, o Flamengo quase ampliou com Joshua, que parou em grande defesa do goleiro Aller. Próximo ao fim da primeira etapa, Virgili, do Barcelona, assustou ao acertar a trave, mas o placar permaneceu inalterado até o intervalo.

A segunda etapa trouxe um Barcelona mais incisivo. Com apenas cinco minutos, Virgili chutou por cima do gol, e Cortes cabeceou para fora em cobrança de escanteio. O Flamengo, por sua vez, tentou responder, com Shola e Joshua exigindo boas intervenções de Aller. Aos 25 minutos, o time espanhol conseguiu o empate com Virgili, que driblou dois marcadores e finalizou com precisão.

A virada do Barcelona veio de forma dramática aos 49 minutos dos acréscimos, com Cortes cabeceando para o gol após um escanteio, silenciando o Maracanã. Contudo, a persistência do Flamengo foi recompensada logo em seguida: aos 51 minutos, Iago aproveitou um cruzamento e cabeceou por cobertura, empatando a partida e levando a decisão para os pênaltis, para delírio da torcida.

Brilho Rubro-Negro nas Penalidades

Na tensa disputa de pênaltis, o Flamengo mostrou frieza e contou com o brilho de seu goleiro, Léo Nannetti. Apesar de Matheus Gonçalves ter perdido sua cobrança, João Victor, Iago, Pablo Lúcio, Felipe Teresa, Lorran e Carbone converteram com sucesso. Pelo lado do Barcelona, Virgili, Oduro, Cortés, Kluivert e Touré marcaram, mas as defesas decisivas de Léo Nannetti nas cobranças de Hernández e Vega garantiram o título ao Flamengo, que celebra seu segundo troféu na competição sub-20.

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA