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Palmeiras goleia Universitario fora de casa e encaminha vaga nas quartas da Libertadores
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O Palmeiras deu um verdadeiro show de bola na noite desta quinta-feira, no Estádio Monumental de Lima, ao golear o Universitario-PER por 4 a 0, em partida de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. Com gols de Gustavo Gómez (de pênalti), Flaco López (duas vezes) e Vitor Roque, o Verdão praticamente assegurou sua presença nas quartas de final do torneio continental.
A vitória não apenas mantém o Palmeiras com 100% de aproveitamento na competição, confirmando sua campanha impecável como líder geral da fase de grupos, mas também quebrou uma invencibilidade de 12 jogos do Universitario na temporada, reafirmando a força do time comandado por Abel Ferreira.
Domínio e eficiência desde o Início
O placar foi aberto rapidamente, logo aos seis minutos do primeiro tempo. Mauricio recuperou a posse de bola no ataque e acionou Vitor Roque. Após uma tabela inteligente com Flaco López, o jovem atacante foi derrubado na área, resultando em pênalti. O capitão Gustavo Gómez cobrou com precisão no canto direito do goleiro Britos, inaugurando o marcador.
Ainda embalado pelo gol, o Alviverde ampliou sua vantagem aos 11 minutos. Flaco López aproveitou uma falha na defesa peruana, recuperou a bola, tabelou novamente com Vitor Roque e, após superar a marcação, finalizou com força para o fundo da rede. Aos 30 minutos, o Palmeiras chegou ao terceiro com um golaço de Vitor Roque. Piquerez conduziu a jogada pelo lado esquerdo e lançou o camisa 9, que dominou entre os defensores e desferiu um potente chute de esquerda para ampliar ainda mais a diferença. O goleiro Weverton, por sua vez, também teve trabalho no primeiro tempo, realizando boas defesas em chutes de Emiliano Martínez e Pérez, além de uma cabeçada perigosa de Valera.
Segundo tempo controlado e vantagem numérica
Na etapa final, o Palmeiras administrou o resultado e teve sua missão facilitada logo aos cinco minutos, quando o zagueiro Riveros, do Universitario, foi expulso após um carrinho em Flaco López. Inicialmente advertido com amarelo, o VAR revisou a jogada e o árbitro aplicou o cartão vermelho. Mesmo com um jogador a menos, o Universitario ainda tentou chegar, mas esbarrou na defesa palmeirense e na falta de pontaria.
O Verdão, por sua vez, não tirou o pé. Aos 29 minutos, o quarto gol veio em uma jogada bem trabalhada de escanteio. Piquerez chutou de fora da área, a bola explodiu na trave de Britos, e Flaco López estava no lugar certo para cabecear no rebote e anotar seu segundo gol na partida, selando a goleada. Emiliano Martínez e Allan ainda tiveram chances de ampliar nos minutos finais, mas pararam em Britos ou mandaram para fora.
Próximos compromissos
Com a confortável vantagem de quatro gols, o Palmeiras está com a vaga nas quartas de final praticamente garantida. O jogo de volta será na próxima quinta-feira, dia 21 de julho, às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque, em São Paulo. O classificado deste confronto enfrentará Libertad ou River Plate nas quartas de final da Libertadores.
Antes do decisivo duelo pela competição continental, o Palmeiras volta a campo neste domingo para enfrentar o Botafogo, às 20h30 (de Brasília), no Nilton Santos, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Universitario, por sua vez, terá compromisso pelo Campeonato Peruano – Clausura, recebendo o Sport Huancayo no domingo, às 14 horas, no Estadio Huancayo.
FICHA TÉCNICA
UNIVERSITARIO-PER 0X4 PALMEIRAS
Local: Estádio Monumental de Lima, em Lima (Peru)
Data: 14/08/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Facundo Tello (ARG)
Assistentes: Juan Bellati (ARG) e Maximiliano Del Yesso (ARG)
VAR: Silvio Trucco (ARG)
Cartões amarelos: Di Benedetto e Polo (Universitario); Mauricio (Palmeiras)
Cartão vermelho: Riveros (Universitaio)
Gols: Gustavo Gómez, aos 6′ do 1°T, Flaco López, aos 11′ do 1°T e aos 29′ do 2°T, Vitor Roque, aos 30′ do 1°T (Palmeiras)
UNIVERSITARIO-PER: Britos; Corzo, Riveros, Di Benedetto; Polo, Ureña (Murrugarra), Concha (Castillo), Velázquez e Pérez Guedes (Carabalí); Flores (Vélez) e Valera (Churín). Técnico: Jorge Fossati
PALMEIRAS: Weverton; Giay, Gustavo Gómez, Micael e Piquerez; Emiliano Martínez, Lucas Evangelista (Aníbal Moreno) e Mauricio (Facundo Torres); Ramón Sosa (Felipe Anderson), Flaco López (Allan) e Vitor Roque (Luighi). Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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