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Fluminense segura empate com Internacional e carimba vaga nas quartas da Copa do Brasil
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Em um confronto disputado no Maracanã pela partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, o Fluminense empatou em 1 a 1 com o Internacional nesta quarta-feira. Com gols de Canobbio para o Tricolor e Alan Patrick para o Colorado, o resultado foi suficiente para garantir a classificação da equipe carioca, que já havia conquistado uma vitória por 2 a 1 no jogo de ida.
Com a passagem assegurada, o Fluminense agora aguarda o sorteio a ser realizado na sede da CBF, na próxima terça-feira (12), para conhecer seu adversário nas quartas de final. Para o Internacional, o empate no Rio de Janeiro marcou o fim de sua jornada na competição nacional.
Primeiro tempo: início intenso e equilíbrio tático
O duelo no Maracanã começou com ritmo acelerado. O Internacional demonstrou iniciativa nos primeiros minutos, criando as primeiras chances com um chute de fora da área de Aguirre aos cinco minutos, seguido por uma tentativa de Borré que passou por cima do travessão. No entanto, após essas investidas iniciais, o jogo se tornou mais tático e concentrado no meio-campo, com poucas oportunidades claras de gol para ambos os lados. O Fluminense só conseguiu assustar o goleiro rival mais perto do fim da primeira etapa, com um chute de Martinelli aos 35 minutos. O confronto seguiu equilibrado, pontuado por muitas faltas, e o placar permaneceu inalterado até o intervalo.
Segundo tempo: explosão do Fluminense e reação Colorada
A etapa complementar teve um início avassalador para o Fluminense. Com apenas 30 segundos de bola rolando, Canobbio aproveitou uma falha na saída de bola do Internacional e, da entrada da área, finalizou sem chances para Rochet, abrindo o marcador para o time da casa.
O gol não desanimou o Internacional, que buscou a resposta imediatamente. Alan Patrick cruzou na área, mas nenhum companheiro conseguiu finalizar. A persistência gaúcha foi recompensada aos 19 minutos, quando Bernabei foi derrubado na área, resultando em pênalti. Na primeira cobrança, Alan Patrick bateu e Fábio defendeu. Contudo, o VAR interveio, indicando que o goleiro havia se adiantado. Na segunda tentativa, o meia do Inter converteu, deixando tudo igual.
Após o empate, o Internacional aumentou a intensidade em busca da virada, o que elevou a temperatura da partida, gerando muitas discussões e atritos entre os jogadores. No entanto, mesmo com a pressão Colorada nos minutos finais, o Fluminense conseguiu segurar o resultado, garantindo o empate e, consequentemente, sua classificação heroica para a próxima fase da Copa do Brasil.
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE-RJ 1 X 1 INTERNACIONAL-RS
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 06/08/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)
Assistentes: Alex Ang Ribeiro (SP) e Thiaggo Americano Labes (SC)
VAR: Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)
Cartões amarelos: Nonato, Canobbio, Manoel e Serna (Fluminense); Aguirre, Vitão, Alan Patrick e Thiago Maia (Internacional)
GOLS: Canobbio, aos 30s do segundo tempo (FLUMINENSE) / Alan Patrick, aos 19′ do 2º tempo (INTERNACIONA)
FLUMINENSE: Fábio, Samuel Xavier, Manoel, Freytes e Guga; Hércules (Thiago Santos), Martinelli (Bernal) e Nonato (Lima); Serna (Keno), Canobbio e Everaldo (Ganso). Técnico: Renato Gaúcho
INTERNACIONAL: Rochet, Aguirre, Vitão, Mercado (Juninho) e Bernabei; Thiago Maia, Richard (Ronaldo) (Ricardo Mathias) e Alan Patrick; Carbonero (Tabata), Wesley (Vitinho) e Borré (Enner Valencia). Técnico: Roger Machado
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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