Esportes

Brasil é Eneacampeão da Copa América Feminina em final de tirar o fôlego

Publicado em

Esportes

;

Quito, Equador – Em uma noite que ficará marcada na história do futebol feminino, a Seleção Brasileira conquistou neste sábado (02.08.2025) seu nono título da Copa América. A vitória veio de forma dramática, em uma disputa de pênaltis eletrizante por 5 a 4, após um empate inacreditável de 4 a 4 no tempo regulamentar e na prorrogação contra a Colômbia, no Estádio Rodrigo Paz Delgado. A goleira Lorena foi a grande heroína da decisão, com atuações decisivas.

O triunfo representa o primeiro grande título sob o comando do técnico Arthur Elias, consolidando o excelente momento da equipe, que já havia conquistado a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. A Colômbia, por sua vez, amargou seu quarto vice-campeonato na competição, sendo o segundo consecutivo para o Brasil, revivendo a dolorosa memória de 2022.

Um Festival de Gols e Emoções

O jogo foi um verdadeiro espetáculo, com chances para os dois lados desde o início. Aos 10 minutos, o Brasil teve sua primeira grande oportunidade com Dudinha, mas a goleira Kate Tapia fez a defesa. Aos 25 minutos, a Colômbia abriu o placar com Linda Caicedo, aproveitando a liberdade na área. As colombianas quase ampliaram com Mayra Ramírez, que se atrapalhou diante de Lorena. Nos acréscimos do primeiro tempo, o Brasil buscou o empate em pênalti convertido por Angelina, após revisão do VAR.

A segunda etapa reservou ainda mais drama. Logo na volta do intervalo, o Brasil quase virou com Kerolin e Gio Garbelini, que acertou a trave. Mas a Colômbia voltou a ficar à frente com um gol contra infeliz de Tarciane. Aos 35 minutos, a artilheira Amanda Gutierres igualou para o Brasil. A alegria, porém, durou pouco: aos 42, Mayra Ramírez colocou a Colômbia novamente na frente. Quando a vitória colombiana parecia selada, a genialidade de Marta brilhou: um chute de primeira da entrada da área, nos acréscimos, levou o jogo para a prorrogação, com um inacreditável 3 a 3 no placar.

Marta e Lorena decidem na prorrogação e pênaltis

Na prorrogação, o Brasil assumiu a liderança pela primeira vez no jogo. Aos 10 minutos do primeiro tempo extra, Marta, novamente ela, aproveitou um cruzamento de Angelina e, com um toque sutil, colocou a bola no cantinho, fazendo 4 a 3. Mas a Colômbia não se deu por vencida e, aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação, Leicy Santos cobrou uma falta com maestria, empatando a partida em 4 a 4 e levando a decisão para os pênaltis.

Nas penalidades, a tensão tomou conta. Tarciane e Catalina Usme converteram as primeiras. Angelina parou em Tapia, e Restrepo abriu vantagem para a Colômbia. Amanda Gutierres marcou, e Paví chutou para fora, deixando tudo igual novamente. Mariza fez o seu, e Lorena brilhou ao defender a cobrança de Leicy Santos. A disputa seguiu ponto a ponto, com Lorena defendendo novamente, e o Brasil garantindo o nono título continental em uma final inesquecível.

As duas seleções agora voltam a campo apenas na próxima data Fifa, prevista para outubro deste ano, para iniciar suas preparações para os próximos desafios internacionais.

FICHA TÉCNICA

COLÔMBIA 4 (4) x (5) 4  BRASIL

Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito (Equador)
Data: 02/08/2025
Árbitro: Dione Rissios (CHI)
Assistentes: Marcia Castillo (CHI) e Leslie Vasquez (CHI)
VAR: Augusto Menéndez (PER)
Público: 23.798 torcedores
Cartões amarelos: Lorena Bedoya, Carolina Arias, Kathe Tapia, Carabalí e Ángelo Marsiglia (Colômbia) / Tarciane, Mariza, Isa Haas, Angelina e Arthur Elias (Brasil)

GOLS: Linda Caicedo, aos 25′ do 1ºT, Tarciane, aos 24′ do 2ºT, Mayra Ramírez, aos 42 do 2ºT e Leicy Santos, aos 9′ da 2ºT da prorrogação (Colômbia) / Angelina, aos 53′ do 1ºT, Amanda Gutierres, aos 35′ do 2ºT e Marta, aos 50′ do 2ºT e aos 14′ do 1ºT da prorrogação (Brasil)

COLÔMBIA: Kathe Tapia; Carolina Arias (Bonilla), Dani Arias, Carabalí e Caracas; Lorena Bedoya (Restrepo), Ilana Izquierdo (Paví) e Leicy Santos; Linda Caicedo, Mayra Ramírez (Serna) e Valerin Loboa (Catalina Usme). Técnico: Ángelo Marsiglia

BRASIL: Lorena; Fê Palermo (Isa Haas), Tarciane e Mariza; Gabi Portilho (Luany), Angelina, Duda Sampaio (Yaya) e Yasmim; Kerolin (Jhonson), Gio Garbelini (Marta) e Dudinha (Amanda Gutierres). Técnico: Arthur Elias

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Publicados

em

;

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA