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Atlético-MG vence Flamengo no Maracanã e leva vantagem para o jogo de volta na Copa do Brasil

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O Atlético-MG surpreendeu o Flamengo e conquistou uma importante vitória por 1 a 0 sobre o rubro-negro, na noite desta quinta-feira, no Maracanã, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O gol decisivo foi marcado por Cuello, no segundo tempo, garantindo ao Galo uma vantagem mínima para o confronto de volta.

Foto: Pedro Souza

Com este resultado, o Flamengo terá a difícil missão de reverter o placar fora de casa. As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira, às 19h (de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte. Para avançar às quartas de final, o time carioca precisará vencer por dois ou mais gols de diferença. Um empate classifica o Atlético-MG, e uma vitória do Galo por qualquer placar também garante sua passagem.

A partida no Maracanã também foi marcada pelas estreias de três reforços no elenco do Flamengo: o lateral-direito Emerson Royal, o meio-campista Saúl e o atacante Samuel Lino, que tiveram seus primeiros minutos com a camisa rubro-negra.

O Jogo

O Galo começou o jogo de forma agressiva, quase abrindo o placar logo no primeiro minuto com uma investida de Hulk. Após o susto inicial, o Flamengo tentou assumir o controle da posse de bola, mas encontrava dificuldades para furar o bloqueio defensivo mineiro. A primeira grande chance do time da casa só veio aos 30 minutos, quando Evertton arriscou da entrada da área e a bola explodiu no travessão. O panorama seguiu com o Flamengo tendo mais posse, mas sem criar oportunidades claras, enquanto o Atlético-MG ainda ameaçou nos acréscimos do primeiro tempo, com Cuello finalizando na rede pelo lado de fora.

Na volta do intervalo, o Atlético-MG continuou mais perigoso. Cuello, logo no primeiro minuto da segunda etapa, cabeceou com força, exigindo uma boa defesa de Rossi. Pouco depois, Gustavo Scarpa testou o goleiro carioca em um chute de longa distância. O Flamengo só conseguiu responder aos 14 minutos, com um arremate de Wallace Yan.

A superioridade atleticana se concretizou aos 19 minutos. Cuello aproveitou um passe errado de Léo Pereira na defesa flamenguista, recuperou a bola e, com precisão, mandou para o fundo das redes, abrindo o placar para o Atlético-MG.

Em desvantagem, o Flamengo intensificou a pressão em busca do empate. Aos 35 minutos, Emerson Royal quase igualou, acertando o travessão após um cruzamento. Nos minutos finais, a equipe carioca sufocou o adversário. Samuel Lino teve uma boa oportunidade aos 39 minutos, mas parou em uma defesa de Everson. Já nos acréscimos, Lino chegou a balançar as redes, mas o lance foi invalidado por impedimento, frustrando as esperanças rubro-negras.

Com o apito final, o Atlético-MG celebrou a importante vitória fora de casa, que lhe dá a vantagem na disputa por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.

FICHA TÉCNICA

FLAMENGO 0 x 1 ATLÉTICO-MG

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 31/07/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Raphael Claus (SP-Fifa)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP-Fifa) e Nailton Júnior de Sousa Oliveira (CE-Fifa)
VAR: Caio Max Augusto Vieira (RN)
Cartões amarelos: Wallace Yan (Flamengo)
GOL: Cuello, aos 20′ do 2º Tempo (ATLÉTICO-MG)

FLAMENGO: Rossi, Varela (Emerson Royal), Léo Ortiz, Léo Pereira e Viña (Ayrton Lucas); Evertton, Allan e Matheus Gonçalves (Samuel Lino); Luiz Araújo (Wallace Yan), Pedro e Plata (Saul). Técnico: Filipe Luís

ATLÉTICO-MG: Everson, Saravia (Igor Rabello), Lyanco e Junior Alonso; Gabriel Menino, Alan Franco, Igor Gomes (Fausto Vera) e Gustavo Scarpa; Cuello, Rony (Alexander) e Hulk (Junior Santos). Técnico: Cuca

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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