Esportes

Fluminense vence Internacional no Beira-Rio e sai em vantagem na Copa do Brasil

Publicado em

Esportes

;

O Fluminense, enfim, reencontrou o caminho da vitória na temporada. O Tricolor das Laranjeiras superou o Internacional por 2 a 1, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), nesta quarta-feira, pela partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O resultado não apenas confere uma importante vantagem ao time carioca, mas também encerra uma sequência de cinco jogos sem resultados positivos.

O herói da noite foi o atacante Everaldo, que balançou as redes duas vezes para o Fluminense. Pelo lado gaúcho, Carbonero descontou.

Com a vitória fora de casa, o Fluminense agora joga pelo empate na partida de volta para garantir sua vaga nas quartas de final da competição. Já o Internacional precisará vencer por dois gols de diferença para avançar no tempo normal. A decisão acontecerá na próxima quarta-feira, dia 7 de setembro, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã.

O Jogo

A partida começou com o Internacional buscando impor seu ritmo e pressionar o adversário. Alan Patrick chegou a assustar em um chute que foi na rede pelo lado de fora. No entanto, foi o Fluminense que abriu o placar logo na primeira oportunidade que teve. Aos oito minutos, Serna acertou a trave, e Everaldo estava atento para pegar o rebote e mandar para o fundo do gol.

A resposta do Internacional quase foi imediata. Bruno Henrique acertou a trave, e no rebote, Wesley chutou sobre o travessão, perdendo a chance de empatar. O confronto se tornou aberto, com o Fluminense aproveitando os espaços para criar, mas desperdiçando boas oportunidades com Canobbio e Serna.

Mais eficiente em sua chance, o Internacional conseguiu o empate aos 34 minutos. Wesley chutou, Fábio espalmou, e Carbonero pegou o rebote para igualar o marcador. A igualdade, no entanto, durou pouco. Aos 39 minutos, Serna fez uma grande jogada e cruzou para Everaldo, que finalizou novamente para a rede, recolocando o Fluminense à frente antes do intervalo. Nos minutos finais da primeira etapa, o Inter ainda esboçou uma pressão, mas o Fluminense conseguiu segurar a vantagem.

Segundo tempo

Na etapa final, o Internacional manteve a postura ofensiva, buscando o empate diante de sua torcida. Contudo, a equipe gaúcha encontrou dificuldades para superar a marcação bem postada do Fluminense, que se mostrou mais sólido defensivamente.

O time da casa tentava os avanços, muitas vezes com bolas alçadas na área, mas sem grande sucesso. O Fluminense, por sua vez, quase ampliou em um contra-ataque aos 23 minutos, quando Serna foi lançado e chutou do bico da área, mas a bola foi para fora.

Na parte final do jogo, o Internacional seguiu tentando o gol de empate, mas a defesa tricolor soube se postar e segurar o resultado positivo, garantindo a vitória e a vantagem para o jogo de volta no Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA

INTERNACIONAL 1 X 2 FLUMINENSE

Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data: 30/07/2025
Hora: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE)
Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
VAR: Ilbert Estevam da Silva (SP)
Cartões amarelos: Aguirre, Alan Patrick, Rochet e Borré (Internacional); Martinelli e Canobbio (Fluminense)
GOLS: Carbonero, aos 34min do primeiro tempo; Everaldo, aos 8 e 39min do primeiro tempo

INTERNACIONAL: Rochet, Aguirre, Vitão, Victor Gabriel e Bernabei; Thiago Maia (Vitinho), Bruno Henrique (Ronaldo), Wesley (Gustavo Prado), Alan Patrick e Carbonero (Tabata); Borré (Enner Valencia). Técnico: Roger Machado

FLUMINENSE: Fábio, Samuel Xavier, Thiago Silva, Freytes e Guga; Martinelli (Bernal), Hércules e Nonato (Ganso); Serna (Keno), Soteldo (Canobbio) e Everaldo (Lima). Técnico: Renato Gaúcho

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA