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Cuiabá vence o América-MG em virada dramática pela série B do Brasileirão
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Em uma noite de reviravoltas e emoções na Arena Pantanal, o Cuiabá conquistou uma importante vitória por 3 a 1 sobre o América-MG, em partida válida pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro Série B. O triunfo coloca o Dourado na 5ª posição, com 28 pontos, a apenas um do G4, acendendo a esperança do acesso. Já o Coelho mineiro, com 20 pontos, permanece na 15ª colocação, flertando perigosamente com a zona de rebaixamento.
O confronto começou equilibrado, com as duas equipes buscando o ataque e criando oportunidades. O Cuiabá teve uma chance anulada logo aos 10 minutos com Jader, enquanto o América-MG respondeu com perigo através de Marlon e Miguelito. Aos 21, Carlos Alberto desperdiçou uma chance clara para o Dourado, finalizando para fora após um passe açucarado de Alisson Safira.
Apesar da pressão inicial do time da casa, foi o América-MG quem abriu o placar aos 40 minutos. Após uma falha do lateral Marcelo do Cuiabá, Elizari chutou na trave, e Arthur Sousa estava atento para aproveitar o rebote e balançar as redes.
No entanto, a resposta do Cuiabá não tardou. Aos 44 minutos, o VAR entrou em ação e assinalou um pênalti a favor do Dourado, após Mariano puxar o zagueiro Bruno Alves dentro da área. Alisson Safira, com tranquilidade, converteu a cobrança aos 50 minutos, deixando tudo igual antes do intervalo.
O segundo tempo foi marcado pela ascensão do Cuiabá. Logo aos 5 minutos, o estreante Jader coroou sua primeira partida com um golaço. Após um belo passe de calcanhar de Safira, o meia dominou na área, driblou a marcação e finalizou de canhota, virando o jogo para o Dourado. O América-MG tentou reagir, com Elizari acertando um chute perigoso aos 8 minutos, mas a igualdade não veio.
Para selar a vitória, aos 40 minutos, Juan Christian marcou mais um golaço para o Cuiabá. Após pivô de Safira, o atacante girou na área e bateu no ângulo, sem chances para o goleiro Dalberson. A situação do América-MG se agravou ainda mais quando o técnico Enderson Moreira foi expulso aos 42 minutos por reclamação.
Nos acréscimos, o jogo ganhou contornos dramáticos. Willian Bigode perdeu uma chance incrível para o América-MG, e na sequência, o goleiro Pasinato do Cuiabá caiu lesionado. Sem substituições disponíveis, o atacante Alisson Safira, autor do gol de empate, assumiu o gol nos minutos finais, em uma cena inusitada. Apesar da bizarra situação, e com o volante Kauã Diniz também expulso, o América-MG não conseguiu reverter o placar.
Com a vitória, o Cuiabá se anima para a próxima rodada, onde enfrentará o Criciúma no dia 29, no estádio Heriberto Hülse, em busca de adentrar a cobiçada zona de acesso. Já o América-MG terá um desafio difícil em casa contra o Athletico, tentando se reabilitar na competição e se afastar da zona da degola.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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