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Cruzeiro surpreende Fluminense no Maracanã e assume a liderança do Brasileirão
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Em uma atuação dominante no primeiro tempo, o Cruzeiro venceu o Fluminense por 2 a 0 nesta quinta-feira, no Maracanã, em partida válida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Fabrício Bruno e Kaio Jorge, ambos na etapa inicial, a Raposa conquistou três pontos cruciais que a colocam na ponta da tabela, isolada na liderança.
O resultado alçou o Cruzeiro aos 30 pontos, deixando para trás os concorrentes diretos e consolidando sua excelente campanha. O Fluminense, por sua vez, estacionou nos 20 pontos, ocupando a sétima posição e perdendo a chance de se aproximar do pelotão da frente.
Desde o apito inicial, o Cruzeiro mostrou uma postura ofensiva. Logo no primeiro minuto, Matheus Pereira assustou a meta carioca com um chute perigoso, seguido por uma tentativa de Kaio Jorge. O Fluminense, apesar de ter respondido com Arias, viu os mineiros criarem as melhores chances. Matheus Pereira voltou a parar no goleiro Fábio, mas a insistência cruzeirense foi recompensada. Aos 28 minutos, em cobrança de escanteio, o zagueiro Fabrício Bruno subiu sozinho e cabeceou para o fundo das redes, abrindo o placar para o Galo.
Mesmo com a vantagem, o Cruzeiro não tirou o pé. Aproveitando os espaços deixados pelo Tricolor, que tentava uma reação, a Raposa ampliou aos 34 minutos. Matheus Pereira, em mais uma jogada de destaque, deu uma assistência primorosa para Kaio Jorge, que não desperdiçou e empurrou a bola para o gol, marcando o segundo do Cruzeiro. O Fluminense tentou diminuir antes do intervalo, mas a sólida defesa mineira segurou o ímpeto adversário.
No segundo tempo, a tônica do jogo mudou. O Fluminense, necessitando do resultado, pressionou intensamente em busca da reação. Aos 16 minutos, Fuentes chutou e Cássio fez grande defesa, seguida por uma cabeçada de Serna que também parou no goleiro celeste. O momento de maior perigo para o Cruzeiro veio aos 29 minutos, quando Thiago Silva recebeu na entrada da área e acertou o travessão. Pouco depois, em nova blitz tricolor, Lima também carimbou o travessão, para alívio dos visitantes.
Apesar da pressão constante e das bolas na trave, o Cruzeiro conseguiu se fechar e controlar a partida nos minutos finais, garantindo a importante vitória no Maracanã e confirmando sua ascensão na competição.
Na próxima rodada, o Fluminense terá o clássico contra o Flamengo neste domingo, novamente no Maracanã. Já o Cruzeiro, embalado pela liderança, receberá o Juventude no Mineirão, no mesmo dia, buscando consolidar sua posição no topo da tabela.
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 0 X 2 CRUZEIRO
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 17/07/2025
Horário: 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes: Jorge Eduardo Bernardi (RS) e Mauricio Coelho Silva Penna (RS)
VAR: Braulio da Silva Machado (SC)
Cartões amarelos: Cássio e Marquinhos (Cruzeiro)
GOLS: Fabrício Bruno, aos 28′ do 1º T e Kaio Jorge, aos 34′ do 1º T (CRUZEIRO)
FLUMINENSE: Fábio, Samuel Xavier, Thiago Silva, Freytes e Fuentes (Renê); Hércules, Martinelli (Lima), Nonato (Serna) e Arias; Soteldo (Keno) e Cano (Everaldo). Técnico: Renato Gaúcho
CRUZEIRO: Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, Lucas Villalba e Kauã Prates (William); Lucas Romero, Lucas Silva, Christian (Jonathan) e Matheus Pereira (Eduardo); Wanderson (Marquinhos) e Kaio Jorge (Gabriel). Técnico: Leonardo Jardim
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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