Cultura
Atrações musicais marcam últimos dias de festas juninas no Nordeste
Cultura
Já estamos encerrando o mês de junho, período em que o Nordeste inteiro entra em festa para celebrar os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Comidas típicas, shows de forró tradicional e estilizado, apresentações de quadrilhas matutas e diversas manifestações da cultura popular podem ser conferidas em cada canto.

Em Pernambuco, uma das principais celebrações desse período ocorre em Caruaru, conhecida como a capital do forró, no coração do agreste. A cidade recebe cerca de 1,5 milhão de visitantes a cada São João.
E o título dado à cidade não é sem motivo. Somente esse ano, Caruaru recebeu mais de 100 apresentações em três palcos. As atrações variaram entre nomes tradicionais do forró regional, novos artistas que surgiram recentemente e já tem conquistado o coração do público, além de músicos de todo o país, que vieram expressar sua paixão pelo São João.
E além de Caruaru, mais de 70 cidades tiveram apoio do governo do estado para a realização dos festejos juninos. Entre elas, Arco Verde, no Sertão Pernambucano. A cidade montou uma programação plural com mais de 15 dias de festa, como explica a secretária de cultura do estado, Cacau de Paula.
“A festa aqui de Arco Verde tem essa característica cultural muito forte, né? A gente tem, por exemplo, o movimento do coco que é muito forte aqui. Então, um movimento de cultura popular muito forte aqui de Arco Verde e é uma evento que acontece em diversos polos aqui na cidade e toda a cidade se envolve bastante. É uma referência de São João.”
Outro ponto de festa foi no Arquipélago de Fernando de Noronha, que recebeu apresentações musicais e de quadrilhas juninas. Uma delas foi a do grupo cultural Dona Nanette, um dos mais tradicionais da ilha, que completou 67 anos de um legado que começou com a matriarca Martins da Costa, como conta a coordenadora do grupo, Tora Costa.
“É quando não tinha quadrilha, ela chegou: ‘Vamos fazer quadrilha’, que é o que tem que ter no São João. Além do milho da foqueira, tem que ter o arraial.”
Além da comemoração de São João realizada na ilha, Fernando de Noronha também está organizando a Barqueata de São Pedro. O santo padroeiro dos pescadores recebe uma homenagem no dia 29 de junho, encerrando o ciclo junino.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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