Saúde
Um cantinho para brincar: iniciativa transforma espera em momentos de acolhimento na unidade do Santa Isabel
Saúde
Quem acompanha uma criança durante uma consulta ou exame sabe que alguns minutos de espera podem parecer uma eternidade. Pensando justamente nesses momentos, a responsável técnica, Cida Campos, e a gerente da unidade de saúde Neuzalina Figueiredo, do bairro Santa Isabel, decidiram criar um pequeno espaço de brinquedos para as crianças que passam pelo local.
Como a unidade atende muitas crianças e não conta com um parquinho ou espaço específico para elas, Cida e a gerente Maristela de Moraes mobilizaram amigos e colegas em busca de brinquedos que estavam em casa e já não eram mais utilizados pelos filhos. Aos poucos, as doações chegaram e deram forma a um cantinho aconchegante e colorido, pensado especialmente para os pequenos.
“Eu achei que seria uma ideia simples, mas que poderia fazer muita diferença para as crianças. Comecei a pedir brinquedos nos meus grupos de WhatsApp e, aos poucos, os amigos foram abraçando a ideia e fazendo as doações. Recebi brinquedos de vários lugares e até em Cuiabá fui buscar. Quando começamos a montar o espaço, foi uma alegria para toda a equipe”, conta Maristela.
A ideia saiu do papel em abril deste ano e, desde então, tem servido como uma distração enquanto as famílias aguardam consultas, exames ou outros procedimentos. Mais do que ocupar o tempo, o espaço ajuda a tornar a espera um pouco mais leve para as crianças e também para pais e responsáveis.
A iniciativa também faz parte de um olhar mais acolhedor para a unidade desde que Cida passou a atuar no local. A proposta é tornar o ambiente mais agradável tanto para quem busca atendimento quanto para os próprios servidores e colaboradores.
“Desde que cheguei à unidade, percebi que precisávamos olhar com mais carinho para as crianças, porque elas passam um tempo aqui esperando atendimento. Compartilhei a ideia com a gerente e ela abraçou a proposta. Quando os brinquedos chegaram, foi aquela alegria. Toda a equipe se juntou para organizar o cantinho e deixar o espaço bonito para elas”, lembra Cida.
São mudanças simples, feitas a partir do que existe à disposição, mas que mostram como pequenos cuidados podem fazer a diferença na rotina de uma unidade de saúde. Afinal, cuidar também passa pela forma como as pessoas são recebidas, pelo ambiente em que esperam e pela atenção aos detalhes que tornam esse momento um pouco mais humano.
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Saúde
Lei aprovada pela ALMT garante sessões de cinema adaptadas para crianças com autismo
O acesso ao lazer e à cultura também faz parte da inclusão de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neste Dia das Crianças, celebrado hoje (12), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) destaca a Lei nº 13.256/2026, que determina a realização de pelo menos uma sessão mensal de cinema adaptada a esse público e suas famílias nos estabelecimentos do estado.
De autoria do deputado estadual Sebastião Rezende (União), a legislação estabelece condições para tornar a experiência mais confortável e acessível. Durante as sessões, não devem ser exibidas publicidades comerciais, as luzes precisam permanecer levemente acesas e o volume do som deve ser reduzido. Também é garantida a liberdade para entrar e sair da sala ao longo da exibição, conforme a necessidade de cada pessoa.
A lei determina ainda que as sessões sejam identificadas com o símbolo mundial do espectro autista, afixado na entrada das salas. Sancionada em março deste ano, a norma concedeu prazo de 90 dias para a adequação dos estabelecimentos.
Na justificativa do projeto apresentado à ALMT, Sebastião Rezende ressaltou que características como a sensibilidade auditiva e visual podem tornar as sessões convencionais de cinema desafiadoras para pessoas com autismo. Ele afirma no documento que o texto “pretende contribuir para garantir às pessoas com autismo a oportunidade de desfrutar do cinema por meio de sessões adaptadas à sua especificidade”.
Acesso à cultura — As sessões adaptadas já fazem parte da programação de cinemas em diferentes municípios de Mato Grosso. Em Cuiabá, a rede Cinépolis, localizada no Shopping Estação, informou que realiza mensalmente sessões inclusivas, com programação distribuída em quatro dias e exibição de dois filmes. Durante essas sessões, o som é reduzido, a iluminação permanece em 50% da capacidade e os espectadores têm liberdade para entrar e sair da sala.
Em Várzea Grande, a rede Cineflix, no Várzea Grande Shopping, informou que realiza sessões destinadas a pessoas com TEA há vários anos, antes mesmo da aprovação da legislação estadual. As exibições ocorrem na última sexta-feira de cada mês, no início da tarde, período de menor movimentação, com iluminação suave, ar-condicionado em intensidade reduzida e liberdade de circulação. O estabelecimento também oferece entrada gratuita para pessoas com deficiência (PCD).
No interior do estado, o Cine 163, em Nova Mutum, iniciou as sessões adaptadas em agosto deste ano. A primeira exibição contou com iluminação suave, som reduzido e ausência de anúncios publicitários. O cinema também adota uma política própria de gratuidade para pessoas com autismo e outras condições, mediante apresentação de documentação comprobatória.
A proprietária do Cine 163, Francielli Vila, explica que o estabelecimento busca envolver as famílias na escolha dos filmes, considerando as diferentes necessidades e preferências das crianças.
“Eu acho importante essa participação delas, para construirmos um melhor evento. É importante dar voz à família. Além da criança ser abraçada, a família precisa ser abraçada também, a família precisa ser ouvida”, afirma.
A experiência relatada em Nova Mutum também aponta para a importância do diálogo com as famílias na construção de espaços de lazer mais acessíveis. Além das adaptações sensoriais, a inclusão envolve o acolhimento das diferentes necessidades e o respeito ao tempo e à forma de participação de cada criança.
Ao estabelecer regras para as sessões adaptadas, a legislação estadual busca ampliar as possibilidades de participação de crianças e adolescentes com autismo em atividades culturais, contribuindo para que o acesso ao cinema seja uma experiência compartilhada com suas famílias.
Fonte: ALMT – MT
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