Política
Simpósio debate caminhos para envelhecer com autonomia e saúde
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“Durante muito tempo, afirmamos que o futuro do Brasil estava na juventude. Hoje, diante das transformações demográficas que vivemos, é preciso reconhecer que o futuro do país está na velhice.” O alerta foi feito pela médica geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Mato Grosso (SBGG-MT), Andreia Athayde Firmiano Casarotto, durante o I Simpósio Mato-Grossense de Longevidade Ativa – Mais Anos, Mais Funcionalidade, realizado na quinta-feira (1º), na sede das Promotorias de Justiça de Várzea Grande.Promovido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), em parceria com a SBGG-MT, em alusão ao Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, o evento reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir os desafios do envelhecimento populacional e a necessidade de preparar a sociedade para o aumento da longevidade associado à redução das taxas de natalidade.A programação incluiu seis palestras que abordaram diferentes dimensões do envelhecimento ativo, destacando a importância da capacidade funcional, da autonomia e dos cuidados preventivos ao longo de toda a vida. Os especialistas discutiram temas como intergeracionalidade, mobilidade, saúde cognitiva, prevenção de demências e combate ao etarismo, reforçando a necessidade de políticas públicas, redes de apoio social e ambientes acessíveis que permitam às pessoas idosas envelhecer com mais qualidade de vida, independência, participação e protagonismo.No primeiro painel, a médica geriatra Andreia Athayde Firmiano Casarotto apresentou um panorama da transição demográfica brasileira e chamou atenção para a urgência de preparar o país para o envelhecimento populacional. Ao defender o conceito de capacidade funcional, explicou que a longevidade saudável depende tanto das condições individuais quanto dos ambientes em que as pessoas vivem. “A regra é 70/30: 30% do seu envelhecimento vem da sua genética e 70% vem do seu comportamento e do ambiente onde você vive”, destacou. Para a especialista, saúde deve ser entendida como a capacidade de continuar realizando atividades significativas ao longo da vida.A médica geriatra Nathália Alves Arévalo ressaltou que o envelhecimento não começa na velhice, mas é construído diariamente por meio das escolhas feitas ao longo da vida. Durante a palestra, abordou a importância das reservas física, cognitiva, emocional e social para a manutenção da independência e da autonomia. “A gente não envelhece de véspera; todo momento é momento de mudar, mas o melhor momento é quando ainda temos tempo para construir a nossa reserva”, afirmou.Ao abordar os desafios do etarismo, a assistente social e doutora em Gerontologia Leila José de Sant’Ana defendeu o fortalecimento do diálogo entre gerações como ferramenta para combater preconceitos e ampliar a participação social. Segundo ela, crianças, jovens, adultos e idosos têm muito a aprender uns com os outros. “Nenhuma geração ensina a outra de forma unilateral; ambas aprendem uma com a outra através da reciprocidade, da solidariedade e da troca de conhecimentos”, ressaltou.A funcionalidade e a mobilidade foram os temas centrais da apresentação da fisioterapeuta especialista em Gerontologia Francielle Fialkoski Molina. A palestrante explicou que envelhecer bem não significa apenas viver mais, mas manter a capacidade de realizar atividades que dão sentido à vida. “Não adianta a gente dar anos à vida se não conseguirmos dar vida a esses anos”, pontuou.Na sequência, a médica geriatra e paliativista Mariana de Carvalho da Silva discutiu o papel da autonomia, do propósito e do pertencimento na construção de uma velhice mais plena. A especialista alertou para os impactos da superproteção familiar e destacou a importância de preservar a capacidade de decisão das pessoas idosas. “O grande desafio da longevidade atual não é só acrescentar dias à nossa vida, mas fazer com que a vida continue cabendo dentro desses dias”, afirmou.Encerrando as exposições, o médico geriatra José Sudário Cardoso Neto apresentou evidências científicas sobre a prevenção das demências e reforçou que a doença não deve ser encarada como consequência natural do envelhecimento. Com base em estudos internacionais, destacou que grande parte dos casos está relacionada a fatores modificáveis ao longo da vida. “Atuando sobre os 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida, nós podemos prevenir até 45% de todos os casos de demência no mundo”, assinalou.Longevidade ativa – Na abertura do evento, um dos idealizadores do I Simpósio Mato-Grossense de Longevidade Ativa, o promotor de Justiça Daniel Balan Zappia, destacou que a iniciativa foi criada para aproximar o conhecimento científico da população e estimular uma reflexão sobre os impactos das mudanças demográficas. Segundo ele, o aumento da expectativa de vida e a redução da taxa de natalidade exigem ações que garantam mais autonomia, dignidade e qualidade de vida às pessoas idosas.O responsável pela 34ª Promotoria de Justiça Cível ressaltou ainda que a Constituição Federal atribui à família, à sociedade e ao Estado a responsabilidade compartilhada pelo amparo à população idosa. Ao relatar visitas a instituições de acolhimento, chamou a atenção para a presença expressiva de idosos com quadro demencial e concluiu. “O que se pretende é justamente atuar sob a perspectiva da prevenção”, afirmou.O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, ressaltou que o simpósio promove um debate essencial sobre os desafios do envelhecimento e a promoção da qualidade de vida da pessoa idosa. Para ele, a discussão está diretamente relacionada ao dever constitucional de proteção à população idosa, que deve ser compartilhado entre família, sociedade e Poder Público.Caio Loureiro também defendeu a valorização da experiência acumulada pelas pessoas idosas e a construção de uma cultura de cuidado mais efetiva. “Temos um dever de cuidado em relação àqueles que já produziram muito e muito nos ensinam”, afirmou.Titular da 6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande e coordenador da Rede de Defesa da Pessoa Idosa do município, o promotor de Justiça Carlos Henrique Richter destacou que o evento amplia a discussão sobre envelhecimento ao ir além das situações de violência, abandono e negligência que costumam chegar aos órgãos de proteção.Segundo o promotor de Justiça, é necessário fortalecer ações de prevenção e promoção da qualidade de vida para acompanhar uma realidade que se impõe à sociedade brasileira. “Precisamos pensar também na prevenção, na qualidade do envelhecimento da população, que é uma realidade”, observou, ao defender iniciativas voltadas à autonomia, independência e ao envelhecimento saudável.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Política
Coronel Fernanda rebate Cattani e defende manutenção da Lei do Feminicídio
A deputada federal Coronel Fernanda (PL) contestou publicamente as declarações do deputado estadual Gilberto Cattani (PL) sobre feminicídio e defendeu a manutenção da legislação específica para esse tipo de crime. A parlamentar afirmou que o colega não demonstra conhecimento jurídico sobre o tema e disse que não aceitará retrocessos nas medidas de proteção às mulheres.
“Ele não deve conhecer a lei, não deve saber o porquê disso. Ele não é jurista”, declarou Fernanda.
A declaração da parlamentar ocorreu após Cattani questionar o conceito de feminicídio ao comentar o assassinato da própria filha, Raquel Cattani, ocorrido em julho de 2024, em Nova Mutum. O deputado afirmou que ela não foi morta simplesmente por ser mulher, mas em razão do relacionamento com o ex-marido, que não aceitava o fim da relação. Ele também defendeu a aplicação do feminicídio como agravante relacionado às circunstâncias do crime.
Em resposta, Coronel Fernanda afirmou que a legislação precisa ser preservada e que a proteção às mulheres deve permanecer como prioridade. A deputada também mencionou o posicionamento de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmando que ele defende a Lei do Feminicídio.
“Se ele não tem conhecimento, não tem entendimento jurídico, não vou cobrar isso dele. Mas vou cobrar, sim, e todas nós precisamos lutar juntas para continuar defendendo a Lei do Feminicídio”, declarou.
Apesar de defender a legislação, a parlamentar reconheceu que ainda existem dificuldades para garantir a aplicação efetiva das medidas previstas. Ela cobrou mais ações do governo federal e maior rapidez do sistema de Justiça na responsabilização de autores de crimes contra mulheres.
Na avaliação de Fernanda, a demora nos processos e na execução das penas compromete o enfrentamento à violência. Por isso, defendeu não apenas a manutenção das normas atuais, mas também medidas que assegurem punições efetivas aos responsáveis por feminicídios.
A deputada afirmou ainda que pretende continuar atuando no Congresso Nacional para impedir retrocessos nos direitos das mulheres.
“Enquanto eu estiver na Câmara Federal, não permito, não vou deixar e vou lutar 24 horas para que nenhuma conquista de nenhuma mulher retroceda”, disse.
Fernanda também informou que participou de uma reunião da bancada feminina do PL, em Brasília, para discutir pautas relacionadas às mulheres. Entre os assuntos tratados, segundo ela, estavam a defesa dos espaços conquistados pelas mulheres e a organização de atividades políticas para o segundo turno presidencial.
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