Mato Grosso
Parceria entre bombeiros e comunidade ajuda a reduzir 96,4% dos focos de calor no Pantanal
Mato Grosso
As ações de prevenção e as parcerias entre o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, comunidades locais e produtores rurais do Pantanal têm desempenhado um papel fundamental na preservação do bioma. Desde o início do período proibitivo para o uso do fogo, em 1º de junho, até a primeira quinzena de outubro de 2025, foi registrada uma redução de 96,4% nos focos de calor, em comparação ao mesmo período do ano passado.
“Houve uma redução expressiva no número de focos de calor, como mostram os dados. Realizamos um trabalho intenso com a comunidade e utilizamos a estrutura para montar uma sala específica de monitoramento de incêndios florestais. Foram registrados eventos de fogo, mas 100% deles foram controlados e extintos em até 48 horas”, destacou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Flávio Glêdson Vieira Bezerra, durante audiência pública, realizada pela Assembleia Legislativa na segunda-feira (20.10), para tratar das questões ambientais relativas ao Estado em preparação ao evento COP 30, que será realizado em Belém do Pará.
Entre 1º de junho e 15 de outubro, foram identificados 185 focos de calor no Pantanal, de acordo com dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base no satélite Aqua Tarde. No período proibitivo em 2024, foram registrados 5.216 focos ativos. Um foco de calor é uma área com temperatura elevada detectada por satélites, o que pode indicar a presença de fogo, mas não necessariamente um incêndio.
Apesar dos focos registrados, nenhum dos casos evoluiu para incêndio florestal, graças à rápida intervenção dos bombeiros e à colaboração dos produtores rurais parceiros, por meio das ações conjuntas de conscientização, educação ambiental e até de primeira resposta, de acordo com o comandante-geral.
O monitoramento por satélites é realizado pela Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, localizada em Poconé, uma iniciativa implementada pela corporação neste ano, que já tem apresentado resultados significativos no combate aos incêndios florestais. A região é sensível e propensa a esse tipo de ocorrência, devido às características da vegetação local.
As ações foram complementadas pela atuação in loco das equipes em solo e pelo apoio de aeronaves, o que possibilitou a rápida identificação dos focos de calor. A partir disso, a pronta resposta das equipes operacionais foi fundamental para impedir que qualquer ocorrência evoluísse para um incêndio florestal.
Além disso, as parcerias com os produtores rurais, por meio do Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (SICRAIF), têm permitido a mobilização rápida e eficaz da estrutura de combate. O sistema já conta com aproximadamente oito mil recursos cadastrados em todo o estado.
“O produtor rural é o maior parceiro do Corpo de Bombeiros Militar. Por isso, temos alcançado esses resultados. É fundamental agir com rapidez no princípio de incêndio para evitar maiores danos. Essa é a estratégia que Mato Grosso tem adotado, pautada na tecnologia, capacitação, estruturação e, principalmente, na integração de esforços para enfrentar a problemática dos incêndios florestais”, concluiu o comandante.
Investimento
O cenário positivo é resultado de estratégia estadual, com investimento do Governo de Mato Grosso de R$ 125 milhões nas ações diretas de combate aos incêndios florestais e desmatamento ilegal, executadas de forma contínua desde o início do ano, além das condições climáticas mais favoráveis em 2025. As ações são coordenadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), com o apoio de parceiros, como as forças de Segurança Pública, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Secretaria de Estado de Comunicação, e do setor produtivo.
Os investimentos em monitoramento inteligente 24 horas, permitiram que os 1.420 bombeiros militares, brigadistas estaduais e municipais, viaturas especializadas e frota aérea atuassem em tempo real no combate aos incêndios em todo território mato-grossense. Essa plataforma própria de gestão de incêndios do Corpo de Bombeiros recebeu premiação nacional e integra dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), autorizações de queima controlada, imagens de satélite e informações meteorológicas, garantindo vigilância em tempo real em todo o Estado.
Além disso, foram realizadas as Operações Infravermelho e Abafa Amazônia, voltadas ao combate do uso irregular do fogo, que já resultaram na aplicação de R$ 285 milhões em multas, identificação e responsabilização de infratores e redução dos danos ambientais.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri de policiais penais é adiado após dissolução do conselho
O julgamento de três réus, dois deles policiais penais, acusados de envolvimento no homicídio de Giovanni Henrique Oliveira Lopes, ocorrido em 2018, foi interrompido nesta terça-feira (13) após a dissolução do Conselho de Sentença. A decisão foi proferida pelo Juízo responsável pelo caso em razão da apresentação, pela defesa, de um relatório sigiloso que não constava nos autos disponíveis na Comarca de Primavera do Leste.A controvérsia sobre o documento foi levantada pelos advogados dos réus, que sustentaram que o relatório já havia sido juntado ao processo quando o feito tramitava na Comarca de Poxoréu. Segundo a defesa, o material não teria sido encaminhado quando os autos foram transferidos para Primavera do Leste, após o desaforamento do julgamento.Os promotores de Justiça Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, integrantes do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GaeJúri) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), manifestaram-se pela impugnação do relatório, sustentando a impossibilidade de utilização do documento nas circunstâncias apresentadas e prosseguimento do Júri.“Após a oitiva de várias testemunhas, a defesa apresentou um relatório supostamente sigiloso. O processo tramitava em Poxoréu e foi desaforado para Primavera do Leste. Quando os autos foram encaminhados, esse anexo sigiloso não foi enviado. Todos fomos surpreendidos em plenário. O Ministério Público suscitou questão de ordem para que o relatório fosse excluído ou não fosse utilizado”, explicou o promotor de Justiça Fabison Miranda Cardoso.Diante da situação, a magistrada determinou a dissolução do Conselho de Sentença e redesignou o julgamento para o dia 20 de janeiro de 2027, às 8h. Antes da interrupção dos trabalhos, dez testemunhas chegaram a ser ouvidas em plenário.“Com a dissolução do Conselho de Sentença, é designada uma nova data para o julgamento. Um novo conselho será sorteado e as testemunhas arroladas pelo Ministério Público, pela defesa e pela assistência de acusação voltarão a ser ouvidas. O Júri recomeça desde o início, com novo sorteio dos jurados, já que os integrantes do conselho dissolvido tiveram contato direto com os fatos discutidos nesta sessão”, explicou o promotor de Justiça Eduardo Antônio Ferreira Zaque.O processo apura o assassinato de Giovanni Henrique Oliveira Lopes, ocorrido em 1º de maio de 2018, em Poxoréu. Conforme a denúncia do Ministério Público, após uma discussão iniciada durante o evento denominado Encontro de Violeiros, a vítima foi perseguida até uma residência, onde foi atingida por disparo de arma de fogo.Respondem ao júri o policial penal Fábio Domingos, acusado de homicídio qualificado por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e apontado pelo Ministério Público como autor do disparo fatal; o policial penal Carlos Jesus de Oliveira, denunciado por homicídio qualificado em concurso de pessoas; e Josane Francisca Dias de Souza, denunciada por disparo de arma de fogo.Segundo a acusação, durante a discussão ocorrida no estacionamento da festa, Josane Francisca Dias de Souza, esposa de Fábio Domingos, teria efetuado um disparo que atingiu a lataria do veículo conduzido por Giovanni Henrique Oliveira Lopes.Também figurava entre os denunciados por homicídio qualificado Patrício Francisco Dias, apontado pelo Ministério Público como participante da ação criminosa em concurso de pessoas. O processo em relação a ele, entretanto, foi extinto em razão de seu falecimento.De acordo com a denúncia, após a discussão ocorrida durante a festa, Fábio Domingos, Carlos Jesus de Oliveira e Patrício Francisco Dias teriam seguido a vítima e invadido a residência onde ela se encontrava, apresentando-se como policiais. Conforme a acusação, Giovanni Henrique Oliveira Lopes foi surpreendido dentro do imóvel e atingido por um disparo na cabeça, na frente do filho de 4 anos, na época.Com o adiamento, o caso voltará a ser submetido ao Tribunal do Júri em janeiro do próximo ano, quando um novo Conselho de Sentença será constituído para analisar as acusações formuladas pelo Ministério Público e as teses apresentadas pelas defesas.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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