Mato Grosso
Instituições discutem inovação e integração no Sistema de Justiça
Mato Grosso
O Mistério Público de Mato Grosso (MPMT) sediou, na tarde de terça-feira (18), a mesa-redonda “Inovação no Sistema de Justiça – Diálogos sobre Cultura, Gestão e Tecnologia”, em um encontro que reuniu representantes da instituição, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e do Tribunal de Justiça (TJMT). Durante o evento, realizado no auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, especialistas compartilharam visões sobre inovação, modernização, cultura institucional, transformação digital e inteligência artificial, reforçando o trabalho conjunto e integrado para fortalecer a eficiência e a resolutividade no Sistema de Justiça.O ciclo de debates foi dividido em três blocos temáticos: “Estratégia e liderança institucional”, “Transformação digital e eficiência profissional” e “Inteligência artificial, desafios éticos e na cultura”. O evento consolidou uma convergência de ideias, marcada pelo compromisso interinstitucional e coletivo de superar barreiras culturais e aprimorar a entrega de resultados à sociedade.O primeiro bloco, “Estratégia e liderança institucional”, mediado pela subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, contou com exposições da juíza diretora do Fórum de Cuiabá, Hanae Yamamura, e da presidente da OAB de Lucas do Rio Verde, Danusa Serena Oneda.Na abertura, Anne Karine Wiegert deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância do diálogo permanente entre as instituições. “Tenho certeza que será um ambiente não de respostas prontas, mas de muito diálogo, de muitas reflexões para que consigamos aprimorar de fato esse sistema que todos nós integramos”, iniciou. A subprocuradora reforçou que inovação exige coragem institucional e visão estratégica, observando que “a inovação não se refere apenas a tecnologia e novas ferramentas tecnológicas; ela é, em verdade, uma nova forma de atuar, uma adaptação a um novo cenário que exige respostas diferentes daquilo que nós estamos habituados a dar num passado”.A integrante do MPMT destacou ainda que falar em inovação sem estratégia e liderança “é digitalizar o passado”, defendendo que mudanças reais envolvem repensar rotinas, cultura e fluxos de trabalho. Como encaminhamento estratégico, propôs a criação de um Gabinete de Gestão Integrada de Inovação, reunindo MPMT, TJMT e OAB-MT para superar a “mentalidade de ilha” e construir uma agenda permanente de colaboração.No segundo bloco, “Transformação digital e eficiência profissional”, a promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello dividiu a mesa com o juiz Vinicius Galhardo, membro do Laboratório de Inovação do TJMT (InovaJus). A discussão foi mediada pelo secretário-adjunto da Comissão de Direito Administrativo da OAB-MT, Hugo Moraes. A promotora reforçou que a tecnologia só tem sentido quando orientada à transformação da realidade social. Segundo ela, “o futuro do sistema de justiça não está na tecnologia que nós vamos usar, mas na coragem de cada um de nós de transformar a realidade”.Taiana Dionello destacou a importância da análise de dados para diagnósticos mais precisos, superando a atuação baseada em percepções individuais. Ela citou o exemplo da Promotoria de Várzea Grande, onde, em três anos, o uso de consensualidade e dados recuperou cerca de R$ 1 milhão ao erário, enquanto ações judiciais tradicionais retornaram apenas R$ 22 mil. “Isso revela qual atuação é mais eficaz”, afirmou, defendendo modelos colaborativos e integrados entre os atores do Sistema de Justiça.O terceiro bloco, “Inteligência artificial, desafios éticos e na cultura”, foi mediado pelo promotor de Justiça Adalberto Biazoto, com participação do analista de cibersegurança do MPMT Kembolle Amilkar, e do gestor do InovaJus Thomas Caetano.O membro do MPMT enfatizou a necessidade de manter o elemento humano no centro da modernização. “Que nós consigamos buscar essa eficiência, essa celeridade, mas sem se descurar jamais da sensibilidade humana”, afirmou. Ele ainda questionou como as instituições podem integrar fluxos e sistemas para aprimorar a prestação jurisdicional, defendendo o trabalho cooperativo como imprescindível.Kembolle Amilkar abordou os riscos e desafios da segurança da informação em um cenário dominado por Inteligência Artificial (IA). Ele alertou que “a segurança da informação sempre foi baseada no comportamento do usuário”, destacando que o excesso de confiança nos sistemas automatizados pode induzir ao erro. Também ressaltou que a qualificação dos profissionais, reforçando que “a segurança é muito mais feita por usuários do que por tecnologia”.Fotos: Victor Real/OAB-MT e TJMT- Aldenor Camargo
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Comarca de Pontes e Lacerda debate prevenção ao extremismo nas escolas
A prevenção ao extremismo violento nas escolas exige atuação integrada entre instituições, compartilhamento de informações e fortalecimento dos vínculos humanos. Com esse propósito, a Comarca de Pontes e Lacerda realizou, na quinta-feira (25), um encontro que reuniu representantes do Poder Judiciário, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Polícia Judiciária Civil, gestores da educação e integrantes da rede de proteção para discutir estratégias de prevenção à violência no ambiente escolar.
O evento, realizado no plenário do Fórum, foi um desdobramento do encontro promovido em maio, em Cuiabá, sobre o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). A iniciativa integra um projeto voltado à identificação de processos de radicalização, ao intercâmbio de experiências entre as forças de segurança e à prevenção da violência por meio da Justiça Restaurativa.
As palestras foram ministradas pelo assessor de Relações Institucionais do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Rauny José da Silva Viana, por um representante da Abin em Mato Grosso e pelo delegado da Polícia Judiciária Civil Sued Dias da Silva Júnior.
Durante o encontro, os especialistas apresentaram o processo de radicalização de possíveis autores de ataques e destacaram a importância da integração entre escolas, órgãos de inteligência e forças de segurança para identificar sinais de risco e agir preventivamente.
Para a juíza da Comarca de Pontes e Lacerda, Djéssica Küntzer, a iniciativa amplia o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente com crianças e adolescentes.
“O evento foi pensado em conjunto pelo Poder Judiciário, a Abin e a Polícia Judiciária Civil, justamente para discutir a violência nas escolas sob a perspectiva do extremismo. Nas explanações foram apresentadas experiências, dados e reflexões para professores, gestores, equipes que atuam com a infância e juventude e demais autoridades, permitindo que todos possam identificar sinais, buscar ajuda e saber como agir diante de situações de risco”, afirmou.
Muito antes da violência
Na palestra “Círculos de Construção de Paz como Estratégia de Desmobilização da Violência Extrema nas Escolas”, Rauny Viana defendeu que medidas de segurança são importantes, mas, isoladamente, não impedem que um adolescente decida cometer um ataque.
“Primeiro o adolescente perde o pertencimento. Depois perde os vínculos. Depois perde a esperança. Então encontra alguém que o compreende, uma comunidade, uma narrativa, um inimigo e, por fim, uma justificativa para a violência. Os Círculos de Construção de Paz atuam justamente antes desse processo se consolidar, fortalecendo relações, promovendo escuta qualificada e reconstruindo o senso de pertencimento”, explicou.
Ele também informou que os Círculos de Construção de Paz foram retomados em Pontes e Lacerda e que novos facilitadores estão sendo capacitados com apoio do NugJur.
Integração para prevenir
O superintendente da Abin em Mato Grosso, Felipe Midon, destacou que a prevenção depende da união entre instituições e comunidade.
“É uma honra para a Abin participar de um debate tão importante para a população de Pontes e Lacerda. Estar ao lado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, das forças de segurança e dos profissionais da educação aponta caminhos para fortalecermos a prevenção contra ataques violentos em escolas e, também, para construirmos novos círculos de paz.”
Cenário nacional
O encontro também apresentou dados que evidenciam a importância das ações preventivas. Em 2025, o Brasil registrou três ataques a escolas, com duas mortes e oito feridos. No mesmo período, 280 ameaças foram identificadas e 22 ataques foram impedidos graças à atuação integrada da comunidade de inteligência, das forças de segurança e da comunidade escolar.
Entre os casos recentes está o ataque ocorrido em maio deste ano, quando um adolescente de 13 anos utilizou a arma do padrasto (advogado com registro de CAC) para atirar contra alunos e funcionários de uma escola. Duas mulheres morreram, e o autor teve a internação provisória decretada pela Justiça.
Os dados também mostram que a violência em instituições de ensino cresceu de forma significativa nos últimos anos: cerca de 64% dos ataques registrados desde o início dos anos 2000 ocorreram apenas nos três anos mais recentes. O pico foi em 2023, com 12 ataques com vítimas. Em 2024 foram registrados cinco casos, enquanto as ações de prevenção seguem sendo fortalecidas.
Estudos do Instituto Sou da Paz apontam ainda que o uso de armas de fogo dobra o potencial letal dos ataques em comparação com armas brancas, reforçando a importância da prevenção precoce e da atuação integrada entre escolas, famílias e instituições públicas.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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