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Vitória vence Internacional e empurra Santos para a zona de rebaixamento
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Em um confronto direto na parte inferior da tabela do Campeonato Brasileiro, o Vitória conquistou uma vitória crucial de 1 a 0 sobre o Internacional na noite desta quarta-feira (05), no Barradão. O resultado não apenas tirou o rubro-negro baiano da zona de rebaixamento, mas também colocou o Santos, provisoriamente, no Z4, gerando grande agitação na briga pela permanência na elite do futebol nacional.
Com os três pontos somados, o Vitória agora acumula 34 pontos e sobe para a 16ª colocação. Já o Internacional, que não consegue uma vitória há quatro partidas, permanece com 36 pontos e ocupa o 15º lugar, ainda em risco de se aproximar da degola. A pressão agora recai sobre o Santos, que visitará o Palmeiras nesta quinta-feira. Uma derrota manterá o Peixe na zona, enquanto uma vitória o fará ultrapassar o Vitória novamente.
O Jogo
A partida no Barradão foi marcada por momentos de tensão e lances decisivos revisados pela arbitragem. Logo aos sete minutos, a torcida do Vitória chegou a comemorar um pênalti assinalado após Renzo Lópes ser derrubado na área, mas a jogada foi anulada por impedimento de Cantalapiedra no início da construção. A etapa inicial também presenciou um choque de cabeças entre Edu (Vitória) e Ricardo Mathias, que resultou na saída de campo do zagueiro rubro-negro, em um momento de preocupação para a equipe baiana.
No segundo tempo, a emoção continuou. Aos 11 minutos, Erick balançou as redes para o Vitória, mas o gol foi novamente invalidado, desta vez por uma falta cometida em Bernabei durante a jogada ofensiva. O alívio para os donos da casa só veio aos 22 minutos, com o gol que definiria a partida. Em cobrança de escanteio, o zagueiro Lucas Halter, de costas para o gol, fez um desvio certeiro que encobriu o goleiro Ivan e estufou a rede, levando o Barradão à euforia. O tento foi suficiente para garantir a vitória e os valiosos três pontos para o Vitória.
Próximos desafios na luta contra o rebaixamento
Ambas as equipes terão compromissos importantes pela 33ª rodada. O Vitória receberá o Botafogo no Barradão no próximo domingo (09), às 16h, buscando consolidar sua saída da zona. O Internacional, por sua vez, tentará quebrar a sequência negativa em casa, no Beira-Rio, contra o Bahia, no sábado (08), às 18h30.
FICHA TÉCNICA
Vitória 1 x 0 Internacional
- Competição: 32ª rodada do Campeonato Brasileiro
- Local: Barradão, em Salvador
- Data: 5 de novembro de 2025 (quarta-feira)
- Horário: 19h (de Brasília)
Gol:
- Vitória: Lucas Halter (22′ 2ºT)
Cartões Amarelos:
- Internacional: Ivan, Bruno Gomes, Bernabei, Juninho
- Vitória: Dudu, Baralhas
Arbitragem:
- Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG)
- Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG), Celso Luiz da Silva (MG)
- VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Equipes:
- Vitória: Thiago Couto; Camutanga, Lucas Halter, Edu (Neris), Erick; Willian Oliveira, Baralhas, Cantalapiedra (Lucas Braga); Matheuzinho (Osvaldo), Maykon e Renzo López (Renato Kaizer).
- Internacional: Ivan; Bruno Gomes (Luis Otávio), Clayton Sampaio (Óscar Romero), Vitão, Juninho; Bernabei, Thiago Maia (Bruno Henrique), Alan Patrick; Bruno Tabata (Gustavo Prado), Vitinho (Raykkonen) e Ricardo Mathias (Carbonero).
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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