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Vasco vence Fortaleza, sai do Z4 e afunda Leão no rebaixamento

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Em uma demonstração de garra e eficiência, o Vasco da Gama conquistou uma vitória crucial de 2 a 0 sobre o Fortaleza, nesta quarta-feira, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Jogando na Arena Castelão, o Gigante da Colina superou a expulsão precoce de Hugo Moura ainda no primeiro tempo e garantiu três pontos que o tiram da zona de rebaixamento, enquanto o Leão do Pici amarga uma situação ainda mais delicada.

Os gols vascaínos foram anotados por Rayan, na primeira etapa, e David, no segundo tempo, selando um triunfo que eleva o moral da equipe e intensifica a pressão sobre o time cearense.

Resiliência cruzmaltina e gols decisivos

O confronto começou elétrico, com o Fortaleza quase abrindo o placar logo aos dois minutos, em tentativa de Breno Lopes. O Vasco respondeu com perigo, e um cruzamento rasteiro de Goméz quase encontrou Nuno Moreira e Rayan, com a bola ainda carimbando a trave após desvio de Mancuso.

O cenário da partida mudou drasticamente aos 39 minutos, quando o volante Hugo Moura, do Vasco, recebeu cartão vermelho direto após revisão do VAR por uma falta em Guzmán. Com um jogador a menos, o time carioca parecia enfrentar um desafio ainda maior. No entanto, foi o Vasco quem soube aproveitar os espaços. Aos 48, Rayan foi lançado, invadiu a área e finalizou sem chances para o goleiro Brenno, abrindo o placar para o Cruzmaltino antes do intervalo.

No segundo tempo, o Fortaleza partiu para o ataque em busca do empate. Léo Jardim, goleiro vascaíno, foi a estrela da etapa complementar, realizando defesas espetaculares em chutes de Breno Lopes, Ávila, Kuscevic, Bareiro e Moisés, mantendo a meta invicta.

Apesar da pressão incessante do time da casa, o Vasco, fiel à sua estratégia de contra-ataques, ampliou o placar aos 36 minutos. Puma Rodríguez cruzou, Brenno deu rebote e David aproveitou para mandar a bola para as redes, garantindo o segundo gol e a tranquilidade para a equipe carioca. O Fortaleza ainda teve um lance de azar quando Puma Rodríguez tentou cortar uma bola e a mandou na própria trave. Nos minutos finais, Bareiro, do Fortaleza, foi expulso, selando o destino da partida.

Situação na tabela: Vasco respira, Fortaleza preocupa

Com esta vitória, a segunda consecutiva, o Vasco salta para a nona colocação na tabela, somando 36 pontos e se afastando consideravelmente da zona de rebaixamento. Para o Fortaleza, a situação é alarmante: a equipe permanece na 18ª posição, dentro do Z4, com apenas 24 pontos, e precisa reagir urgentemente nas próximas rodadas.

Próximos desafios

O Fortaleza buscará a reabilitação no Campeonato Brasileiro fora de casa, visitando o Cruzeiro no Mineirão, neste sábado.

Já o Vasco terá um clássico emocionante pela frente, enfrentando o Fluminense na segunda-feira, no Maracanã.

FICHA TÉCNICA

Fortaleza 0 x 2 Vasco

Competição: Campeonato Brasileiro (28ª rodada)

Local: Arena Castelão, em Fortaleza (CE)

Data: 15 de outubro de 2025 (quarta-feira)

Horário: 21h30 (de Brasília)

Cartões Amarelos:

  • Fortaleza: Gastón Ávila, Kuscevic, Deyverson, Brítez
  • Vasco: Robert Renan, Coutinho

Cartões Vermelhos:

  • Fortaleza: Bareiro, Paulo Roberto, Kuscevic
  • Vasco: Hugo Moura

Arbitragem:

  • Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO-Fifa)
  • Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO-Fifa) e Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE)
  • VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP-VAR-Fifa)

Gols:

Fortaleza:

  • Goleiro: Brenno
  • Defensores: Mancuso, Brítez, Kuscevic e Gastón Ávila
  • Meio-campo: Rodrigo Santos (Rossetto), Lucas Crispim, Pochettino (Yago Pikachu) e Guzmán
  • Atacantes: Breno Lopes e Lucero (Bareiro)
  • Técnico: Martín Palermo

Vasco:

  • Goleiro: Léo Jardim
  • Defensores: Tchê Tchê (Mateus Carvalho), Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton (Victor Luís)
  • Meio-campo: Hugo Moura, Barros e Coutinho (Puma Rodríguez)
  • Atacantes: Rayan, Nuno Moreira (Matheus França) e Andrés Gómez (David)
  • Técnico: Fernando Diniz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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