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Seleção Brasileira desembarca em Orlando e inicia preparação para amistosos com França e Croácia
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A Seleção Brasileira começou neste sábado (22) a se apresentar em Orlando, nos Estados Unidos, para os primeiros compromissos deste ano. Dos 26 jogadores convocados, a delegação da Amarelinha já conta com 11 atletas na cidade :9 estado da Flórida: Danilo, Igor Thiago, Rayan, Bento, Fabinho, Léo Pereira, Ibañez, Andrey, João Pedro, Ederson e Bremer. Marquinhos e Gabriel Sara chegarão ainda nesta noite.
A partir deste domingo (23), a Amarelinha iniciará a preparação para os amistosos com França e Croácia. Os treinamentos comandados pelo técnico Carlo Ancelotti e sua comissão serão realizados na ESPN WWSC, cuja estrutura serviu de base para a Seleção durante a Copa América de 2024. A única atividade fora deste CT será na véspera do duelo com os croatas, no dia 30, e irá se dar no Camping World Stadium, palco do jogo.
Bento cumprimenta João Pedro no hotel da delegação da Seleção Brasileira em Orlando
Desde a convocação anunciada por Ancelotti, a lista de 26 convocados sofreu uma alteração: o goleiro Hugo Souza, do Corinthians, foi chamado para o lugar de Alisson, que se lesionou pelo Liverpool.
Na próxima quinta-feira (26), o Brasil fará sua estreia em 2026 no clássico mundial contra os franceses, no Gillette Stadium, em Boston, às 17h (de Brasília). Enfrenta a Croácia, às 21h do dia 31, no Camping World Stadium, em Orlando. Diante de duas fortes seleções do continente europeu, fechará a série de amistosos antes da convocação final para a Copa, evento marcado para 18 de maio.
João Pedro e Taffarel no hotel onde a Seleção Brasileira está concentrada em Orlando
VEJA A PROGRAMAÇÃO DA SELEÇÃO PARA AMISTOSOS COM FRANÇA E CROÁCIA:
23 DE MARÇO – SEGUNDA-FEIRA
Treino às 18h no CT ESPN WWSC
24 DE MARÇO – TERÇA-FEIRA
Entrevista coletiva às 14h30 no hotel da delegação
Treino às 18h no CT ESPN WWSC
25 DE MARÇO – QUARTA-FEIRA
Entrevista coletiva às 9h15 no hotel da delegação
Treino às 12h no CT ESPN WWSC
Voo à tarde para Boston
26 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA
Amistoso com a França às 17h no Gillette Stadium
Voo de retorno para Orlando à noite
27 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA
Treino às 12h no CT ESPN WWSC
28 DE MARÇO – SÁBADO
Treino às 12h no CT ESPN WWSC
Entrevista coletiva às 15h30 no hotel da delegação
29 DE MARÇO – DOMINGO
Treino às 12h no CT ESPN WWSC
Entrevista coletiva às 15h30 no hotel da delegação
30 DE MARÇO – SEGUNDA-FEIRA
Entrevista coletiva às 10h45 no Camping World Stadium
Treino às 12h no Camping World Stadium
31 DE MARÇO – TERÇA-FEIRA
Amistoso com a Croácia às 21h no Camping World Stadium
1º DE ABRIL – QUARTA-FEIRA
Liberação de atletas e comissão técnica
*Os horários são de Brasília
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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