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São Paulo goleia o Cruzeiro com show de Ferreira e assume vice-liderança do Brasileirão

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O São Paulo reencontrou o caminho das vitórias no Campeonato Brasileiro com uma goleada de 4 a 1 sobre o Cruzeiro, na noite deste sábado, no Estádio do Morumbis. Em partida válida pela décima rodada do torneio nacional, o Tricolor Paulista teve uma atuação de gala, impulsionado por um hat-trick do atacante Ferreira e um gol de Calleri, enquanto Christian descontou para a equipe mineira. A expressiva vitória alivia a pressão sobre o técnico Roger Machado, que havia sido vaiado antes do início do jogo.

Ferreira: A aposta de Roger que brilhou

A decisão de Roger Machado em escalar Ferreira como titular, com o camisa 11 atuando pela ponta esquerda em um esquema com dois pontas de origem, mostrou-se acertada. Em sua primeira partida como titular sob o comando do treinador, Ferreira foi o grande nome do jogo, saindo de campo com três gols e uma atuação decisiva que garantiu os três pontos para o São Paulo.

Com o resultado, o São Paulo encerrou uma sequência de três rodadas sem vencer (duas derrotas e um empate) e saltou na tabela. O clube paulista atingiu os 20 pontos e dorme na vice-liderança do Brasileirão, aproveitando o tropeço do Fluminense, que empatou com o Coritiba. Agora, o São Paulo torce por um resultado favorável no jogo entre Bahia e Palmeiras neste domingo para consolidar sua posição.

Por outro lado, o Cruzeiro permanece na zona de rebaixamento, caindo uma posição e ocupando a 18ª colocação, mantendo os sete pontos com que iniciou a rodada.

O jogo

O São Paulo começou o jogo com ímpeto. Aos oito minutos, Calleri teve a primeira finalização de cabeça defendida por Matheus Cunha. No minuto seguinte, o Tricolor teve um pênalti a seu favor, quando Artur foi derrubado na área. Calleri cobrou com segurança no meio do gol, abrindo o placar para o São Paulo.

Aos 14 minutos, o Cruzeiro respondeu com uma cobrança de falta de Arroyo defendida por Rafael. No lance seguinte, o São Paulo ampliou: após um lateral, Calleri escorou de cabeça para Artur, que puxou o contra-ataque e enfiou a bola para Ferreira. O atacante driblou o goleiro Matheus Cunha e fez o segundo gol tricolor.

Ainda no primeiro tempo, o Cruzeiro criou algumas chances, com Matheus Pereira e William, mas a defesa são-paulina e o goleiro Rafael conseguiram segurar o placar. O segundo tempo, no entanto, começou com o Cruzeiro diminuindo a vantagem. Aos dois minutos, Fabrício Bruno lançou Arroyo, que driblou Dória e tocou para Christian, que completou para o fundo das redes.

A Raposa quase empatou aos sete minutos, com um cabeceio de Matheus Pereira defendido por Rafael. Mas foi o São Paulo quem voltou a ampliar. Aos 16 minutos, em cobrança de escanteio de Artur, Tolói desviou, Dória acertou a trave e, no rebote, Ferreira apareceu para marcar seu segundo gol no jogo.

Nos minutos finais, o São Paulo selou a goleada. Marcos Antônio encontrou Ferreira, que carregou a bola, invadiu a área e finalizou colocado, completando seu hat-trick e fechando o placar em 4 a 1 para o Tricolor.

Próximos desafios 

Ambas as equipes agora voltam suas atenções para as competições sul-americanas.

São Paulo embarca para o Uruguai para enfrentar o Boston River na primeira rodada da Copa Sul-Americana, na próxima terça-feira, 7 de abril, às 21h30 (de Brasília), no Estádio Centenário, em Montevidéu.

Cruzeiro, viaja para o Equador para sua estreia na Copa Libertadores, onde enfrentará o Barcelona de Guayaquil, também na terça-feira, 7 de abril, às 21h (de Brasília), no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, em Guayaquil.

FICHA TÉCNICA

São Paulo 4 x 1 Cruzeiro
Competição Campeonato Brasileiro (décima rodada)
Local Morumbis, em São Paulo (SP)
Data 04 de abril de 2026 (sábado)
Horário 18h30 (de Brasília)
Público 36.650 pessoas
Renda R$ 2.022.929,00
Cartões Amarelos (São Paulo) Wendell e Ferreira
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Assistentes Luanderson Lima dos Santos (BA) e Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
VAR Rafael Traci (SC)
Gols
São Paulo Calleri, aos 12′ do 1ºT
São Paulo Ferreira, aos 15′ do 1ºT
Cruzeiro Christian, a 1′ do 2ºT
São Paulo Ferreira, aos 16′ do 2ºT
São Paulo Ferreira, aos 46′ do 2ºT
Escalações Técnico
SÃO PAULO: Rafael; Lucas Ramon, Rafael Tolói, Sabino (Dória) e Wendell (Enzo Díaz); Marcos Antônio, Bobadilla (Pablo Maia) e Luciano (Cauly); Artur, Ferreira e Calleri (André Silva). Roger Machado
CRUZEIRO: Matheus Cunha; William (Kauã Moraes), Fabrício Bruno (Jonathan Jesus), Villalba e Kaiki; Matheus Henrique (Lucas Silva), Gerson (Wanderson) e Matheus Pereira; Christian, Arroyo (Chico da Costa) e Kaio Jorge (Neyser). Artur Jorge

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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