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Santos deixa vitória escapar na Vila, empata com o San Lorenzo e se complica na Sul-Americana
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O Santos voltou a frustrar sua torcida na Copa Sul-Americana ao empatar em 2 a 2 com o San Lorenzo, na noite desta quarta-feira (20.05), na Vila Belmiro, pela quinta rodada da fase de grupos. Depois de abrir dois gols de vantagem em casa, o Peixe permitiu a reação da equipe argentina, saiu de campo sob vaias e viu sua situação no torneio ficar ainda mais delicada.
Gabriel Bontempo e Gabigol marcaram para o time santista, enquanto De Ritis e Auzmendi fizeram os gols do San Lorenzo. Com o resultado, o Santos chegou aos quatro pontos, segue sem vencer na competição e permanece na lanterna do Grupo D. Além disso, a equipe já não tem mais chances de terminar na liderança da chave, o que elimina a possibilidade de classificação direta às oitavas de final.
Agora, o time paulista precisa vencer o Deportivo Cuenca, do Equador, na última rodada, e ainda torcer por um tropeço do Deportivo Recoleta, do Paraguai, para seguir com chances de avançar ao menos aos playoffs. Do outro lado, o San Lorenzo foi a sete pontos, manteve a liderança do grupo e decidirá sua situação em casa, diante do Recoleta.
O jogo
O Santos começou melhor e precisou de apenas um minuto para abrir o placar. Após recuperar a bola no meio-campo, a equipe acelerou o contra-ataque com Rollheiser, que acionou Miguelito. O meia encontrou Gabigol, que cruzou rasteiro para a segunda trave. Bontempo apareceu livre para completar para o gol. O lance ainda foi revisado pelo VAR por uma possível falta na origem da jogada, mas a arbitragem confirmou o gol.
Mesmo em vantagem, o Peixe não conseguiu transformar o bom início em domínio absoluto. O San Lorenzo tentou responder e levou perigo em chute de Insaurralde, de fora da área, que passou perto do gol defendido por Brazão. Pelo lado santista, Barreal também assustou em cobrança de falta, exigindo defesa do goleiro Gill.
Sem grande volume ofensivo no primeiro tempo, o Santos conseguiu ampliar já nos acréscimos. Gabigol cobrou falta da entrada da área, a bola desviou na barreira e morreu no canto esquerdo, sem chance para o goleiro argentino. Antes do intervalo, o San Lorenzo ainda chegou com De Ritis, mas Brazão conseguiu evitar o gol.
Na volta para o segundo tempo, o Santos teve a oportunidade de praticamente liquidar a partida. Aos 20 minutos, após boa troca de passes, Rony fez o pivô e Oliva apareceu com espaço para avançar. O volante invadiu a área e finalizou, mas foi travado no momento decisivo e ainda acertou o travessão.
O lance desperdiçado mudou o rumo do confronto. Aos 27 minutos, o San Lorenzo diminuiu. Tripichio recebeu pela direita, passou pela marcação de Barreal e cruzou para a área. Adonis Frías afastou mal, e De Ritis aproveitou a sobra para cabecear para o fundo da rede.
A pressão dos argentinos cresceu nos minutos finais, e o empate saiu aos 39. Gulli lançou Auzmendi em profundidade, o atacante ganhou da marcação e ficou cara a cara com Brazão antes de tocar com precisão para deixar tudo igual na Vila Belmiro.
Sem força para reagir nos minutos derradeiros, o Santos encerrou a noite novamente pressionado por sua torcida e com a classificação ameaçada. O empate, depois de estar vencendo por 2 a 0, aumentou o clima de frustração e complicou de vez a caminhada do clube na competição continental.
Próximos jogos
SANTOS
- Grêmio x Santos (17ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 23/05 (sábado), às 19h (de Brasília)
- Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
SAN LORENZO
- San Lorenzo x Deportivo Recoleta-PAR (sexta rodada da Copa Sul-Americana)
- Data e horário: 26/05 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Estádio Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires (ARG)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Santos 2 x 2 San Lorenzo | |
| Competição | Copa Sul-Americana |
| Rodada | Quinta rodada da fase de grupos |
| Local | Vila Belmiro, em Santos (SP) |
| Data | 20 de maio de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 19h (de Brasília) |
| Público | 6.948 pessoas |
| Renda | R$ 373.906,39 |
| Cartões amarelos – Santos | Lucas Veríssimo, Willian Arão e Igor Vinícius |
| Cartões amarelos – San Lorenzo | Manuel Insaurralde, Nicolás Tripichio e Lautaro Montenegro |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Alexis Herrera (VEN) |
| Assistentes | Jorge Urrego (VEN) e Lubin Torrealba (VEN) |
| VAR | Juan Soto (VEN) |
| Gols do Santos | Bontempo, aos 1′ do 1ºT; Gabigol, aos 46′ do 1ºT |
| Gols do San Lorenzo | De Ritis, aos 27′ do 2ºT; Auzmendi, aos 39′ do 2ºT |
| Santos | Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Lucas Veríssimo e Barreal (Rafael Gonzaga); Arão, Oliva (Lautaro Díaz) e Rollheiser (Gustavo Henrique); Gabriel Bontempo (Samuel Pierri), Miguelito (Rony) e Gabigol. |
| Técnico | Cuca |
| San Lorenzo | Orlando Gill; Ezequiel Herrera, Jhohan Romaña e Lautaro Montenegro; Nicolás Tripichio, Facundo Gulli, Manuel Insaurralde, Nahuel Barrios e Mathias De Ritis (Domínguez); Alexis Cuello e Rodrigo Auzmendi. |
| Técnico | Gustavo Álvarez |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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