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Palmeiras perde para o Cerro e adia vaga nas oitavas da Libertadores
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O Palmeiras desperdiçou a chance de garantir antecipadamente a classificação às oitavas de final da Copa Libertadores ao ser derrotado por 1 a 0 pelo Cerro Porteño, na noite desta quarta-feira (20.05), no Allianz Parque, pela quinta rodada da fase de grupos. O único gol da partida foi marcado por Vegetti, e a atuação abaixo do esperado fez o time deixar o gramado sob vaias da torcida.
Além de frustrar os planos de confirmação da vaga, o resultado também encerrou uma longa sequência invicta do clube alviverde como mandante no torneio continental. O revés colocou fim a uma série de 27 partidas sem derrota em casa pela Libertadores.
Na tabela, o tropeço custou caro. O Palmeiras perdeu a liderança do Grupo F e caiu para a segunda colocação, com oito pontos, sendo ultrapassado pelo próprio Cerro Porteño, que chegou a dez. A equipe comandada por Abel Ferreira ainda corre o risco de terminar a rodada fora da zona de classificação, já que o Sporting Cristal pode alcançar nove pontos se vencer seu compromisso. Com isso, o Verdão pode cair para o terceiro lugar antes da rodada final.
O jogo
O Palmeiras até começou melhor e criou as primeiras oportunidades. Logo aos quatro minutos, Allan puxou contra-ataque e encontrou Jhon Arias, que finalizou de dentro da área para defesa de Martín Arias. Pouco depois, Emi Martínez tentou acionar Flaco López em profundidade, mas exagerou na força do passe. Aos 14, Emiliano Martínez ainda levou perigo em cabeçada após jogada de escanteio.
A melhor chance palmeirense no primeiro tempo veio aos 26 minutos. Flaco López ajeitou para Jhon Arias, que bateu de frente para o gol e parou no goleiro. No rebote, Giay serviu novamente Flaco, mas o atacante argentino finalizou em cima da marcação. Na sequência, Murilo deixou Flaco em boa condição, e o camisa 42 bateu cruzado. A bola ainda desviou em Martín Arias antes de acertar a trave.
O Cerro Porteño respondeu em lances pontuais, principalmente nas bolas paradas. Aos 33 minutos, Cecilio Domínguez cobrou falta para a área, a bola quicou na frente de Carlos Miguel, que conseguiu intervir e afastar o perigo. Nos minutos finais da etapa inicial, o Palmeiras ainda tentou pressionar, mas sem conseguir transformar o volume em gol.
Se no primeiro tempo o Verdão não aproveitou as oportunidades, no início da etapa final foi punido. Logo aos dois minutos, Torres recebeu pelo meio e abriu na direita para Cecilio Domínguez. O meia cruzou rasteiro para Vegetti, que apareceu para concluir e colocar os paraguaios em vantagem no Allianz Parque.
O gol abalou o Palmeiras, que passou a ter mais posse de bola, mas encontrou dificuldade para transformar o domínio territorial em chances claras. Aos dez, o Cerro quase ampliou com Cecilio Domínguez, que dominou pelo alto, passou por Arthur e obrigou Carlos Miguel a fazer grande defesa.
A resposta alviverde veio de maneira tímida. Aos 28, Jhon Arias tentou em chute fechado e mandou perto da trave. Já aos 35, Flaco López voltou a desperdiçar uma chance decisiva. Após cruzamento de Arias, o argentino subiu livre na área, mas cabeceou no travessão. Nos minutos finais, Murilo ainda lançou Gustavo Gómez, que escorou para Luighi finalizar, mas o lance já estava invalidado por impedimento.
Sem conseguir reagir, o Palmeiras confirmou a derrota em casa, perdeu a invencibilidade de 17 jogos na temporada e deixou a classificação às oitavas em aberto. Na última rodada, o time brasileiro enfrentará o Junior Barranquilla, enquanto o Cerro Porteño tentará confirmar a liderança da chave.
O próximo compromisso do Palmeiras será no sábado (23), às 21h, diante do Flamengo, no Maracanã, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. Já o Cerro Porteño volta a campo no domingo (24), às 17h, contra o Rubio Ñú, pelo Campeonato Paraguaio, no estádio General Pablo Rojas, em Assunção.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño-PAR | |
| Competição | Copa Libertadores (5ª rodada) |
| Local | Allianz Parque, em São Paulo (SP) |
| Data | 20 de maio de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Público | 32.873 torcedores |
| Renda | R$ 2.406.541,03 |
| Cartões amarelos – Palmeiras | Arthur, Andreas Pereira e Gustavo Gómez |
| Cartões amarelos – Cerro Porteño | Piris da Motta, Jorge Morel e Guillermo Benítez |
| Cartão vermelho | Nenhum |
| Árbitro | Yael Falcon Perez (ARG) |
| Assistentes | Cristian Navarro (ARG) e Facundo Rodríguez (ARG) |
| VAR | Hector Paletta (ARG) |
| Gol | Vegetti, aos 2′ do 2ºT (Cerro Porteño) |
| Palmeiras | Carlos Miguel; Giay (Mauricio), Gustavo Gómez, Murilo e Arthur; Marlon Freitas, Andreas Pereira (Lucas Evangelista) e Emiliano Martínez (Paulinho); Allan (Luighi), Jhon Arias e Flaco López. Técnico: Abel Ferreira |
| Cerro Porteño | Martín Arias; Fabrício Domínguez, Velázquez e Matías Pérez; Jorge Morel, Piris Da Motta, Cecilio Domínguez (Iturbe) e Chaparro (Guillermo Benítez); Noguera (Jonathan Torres), Klimowicz (César Bobadilla) e Vegetti. Técnico: Ariel Holan |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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