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Internacional conquista primeira vitória no Brasileirão sobre Santos de Neymar

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Em um confronto dramático e repleto de reviravoltas, o Internacional superou o Santos por 2 a 1 na noite desta quarta-feira (18.03), pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, na Vila Belmiro, em Santo. O gol da vitória colorada, assinalado por Johan Carbonero nos acréscimos do segundo tempo, garantiu os primeiros três pontos da equipe gaúcha na competição, para o delírio da torcida.

O jogo

A etapa inicial foi marcada por um estudo mútuo das equipes e poucas chances claras de gol. Santos e Internacional trocaram passes na intermediária, mas as defesas se mostraram atentas, impedindo que as redes balançassem. O goleiro Gabriel Brazão, do Santos, teve uma atuação destacada ao defender um chute perigoso de Bruno Henrique, enquanto Rafael Borré, do Inter, também testou o arqueiro santista. Uma pausa para hidratação foi concedida aos 30 minutos, refletindo a alta temperatura em campo. O intervalo chegou com o placar inalterado: 0 a 0.

Segundo tempo de emoções e virada Colorada

A segunda metade do confronto reservou as maiores emoções. O Internacional abriu o placar de forma inusitada logo no primeiro minuto, quando Zé Ivaldo, zagueiro do Santos, desviou um escanteio cobrado por Bruno Henrique e marcou um gol contra, colocando o Colorado em vantagem.

A resposta santista não demorou. Aos 8 minutos, Moisés foi derrubado na área por Vitinho, e o árbitro assinalou pênalti. Na cobrança, aos 11 minutos, Neymar mostrou categoria, deslocou o goleiro Sergio Rochet e deixou tudo igual, empatando a partida em 1 a 1. A comemoração efusiva rendeu um cartão amarelo ao camisa 10 santista.

Com o placar empatado, ambas as equipes buscaram o gol da vitória. O Santos fez substituições, incluindo a saída de Neymar por Thaciano aos 44 minutos, mas foi o Internacional que aproveitou os minutos finais. Nos acréscimos, aos 49 minutos, Johan Carbonero recebeu um bom passe dentro da área, driblou a marcação e finalizou de pé direito, sem chances para Gabriel Brazão, sacramentando a vitória por 2 a 1 para o Internacional.

A partida foi pontuada por cartões amarelos para Félix Torres, Neymar e Igor Vinícius (Santos), além de Vitinho e Johan Carbonero (Internacional), refletindo a intensidade e a disputa acirrada em campo. Com essa vitória suada, o Internacional celebra não apenas os três pontos, mas também a quebra de uma sequência sem vitórias neste início de Brasileirão.

FICHA TÉCNICA
                                                  SANTOS 1 x 2 INTERNACIONAL
Competição Campeonato Brasileiro (sétima rodada)
Local Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data 18 de março de 2026 (quarta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Público 10.031 pessoas
Renda R$ 631.264,73
Cartões Amarelos Escobar, Neymar, Zé Ivaldo e Igor Vinícius (Santos); Félix Torres, Vitinho (Internacional)
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Davi de Oliveira Lacerda (ES)
Assistentes Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Douglas Pagung (ES)
VAR Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
Gols
Internacional Zé Ivaldo (contra), aos 01′ do 2ºT
Carbonero, aos 49′ do 2ºT
Santos Neymar, aos 11′ do 2ºT
Escalações
Santos Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Zé Ivaldo e Escobar (Rollheiser); Arão (Gabriel Menino), Oliva e Neymar (Thaciano); Barreal, Rony (Moisés) e Gabigol.
Técnico: Juan Pablo Vojvoda
Internacional Rochet; Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel e Matheus Bahia; Bruno Henrique (Bruno Tabata), Villagra (Ronaldo) e Alan Rodríguez (Thiago Maia); Vitinho, Alerrandro (Aguirre) e Borré (Carbonero).
Técnico: Paulo Pezzolano

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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