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Flamengo vence o Cusco e confirma liderança do grupo na Libertadores

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O Flamengo encerrou sua participação na fase de grupos da Copa Libertadores com uma vitória por 3 a 0 sobre o Cusco, do Peru, em partida disputada no Maracanã. Os gols do confronto saíram na parte final do segundo tempo, com Bruno Henrique balançando as redes duas vezes após sair do banco de reservas, e Lucas Paquetá fechando o placar em cobrança de pênalti. Com o resultado, o time carioca chegou aos 16 pontos, consolidando-se na liderança isolada do Grupo A e garantindo sua vaga nas oitavas de final.

Para alcançar a primeira colocação geral do torneio, o Rubro-Negro agora torce contra goleadas expressivas de seus concorrentes diretos. O Independiente Rivadavia e o Rosário Central não podem vencer suas respectivas partidas por diferenças de seis e quatro gols. Por outro lado, o Cusco se despediu da competição continental na última posição da chave, tendo somado apenas um ponto ao longo da campanha.

O jogo

O primeiro tempo teve amplo domínio do Flamengo, que criou as principais oportunidades de perigo. Logo no início, Ayrton Lucas avançou pela esquerda e serviu De La Cruz, que finalizou para a defesa do goleiro Vidal. Pouco depois, Evertton Araujo arriscou um chute de fora da área que carimbou o travessão. Emerson Royal também teve uma chance ao invadir a área, mas mandou por cima do gol. O Cusco respondeu nos minutos finais da etapa inicial com uma finalização rasteira de Nicola Silva, defendida com segurança pelo goleiro Andrew.

Na etapa complementar, o panorama seguiu parecido. Saúl assustou em cobrança de falta defendida por Vidal, e Gonzalo Plata quase marcou ao receber passe de Pedro e tocar na saída do goleiro, vendo a bola passar rente à trave. Pedro também desperdiçou uma oportunidade clara ao finalizar para fora de dentro da pequena área após cruzamento de Ayrton Lucas.

A insistência dos donos da casa deu resultado aos 32 minutos. Lucas Paquetá chutou forte da entrada da área, Vidal deu rebote e Bruno Henrique apareceu rápido para empurrar para o fundo da rede. Sete minutos depois, Plata serviu Bruno Henrique na ponta direita da área, e o atacante bateu cruzado no alto para ampliar. Nos acréscimos, após o defensor Zevallos cortar um lance com a mão dentro da área, o árbitro assinalou pênalti. Paquetá cobrou com precisão e decretou o placar de 3 a 0.

Próximos jogos

Flamengo

  • Jogo: Flamengo x Coritiba
  • Data e horário: 30 de maio de 2026 (sábado) | 16h (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Brasileiro
  • Local: Maracanã

Cusco

  • Jogo: ADT Tarma x Cusco
  • Data e horário: 30 de maio de 2026 (sábado) | 13h (de Brasília)
  • Competição: Campeonato Peruano
  • Local: Union de Tarma
FICHA TÉCNICA
Flamengo 3 x 0 Cusco
Competição Copa Libertadores
Local Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data e Horário 26 de maio de 2026 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
Gols Flamengo: Bruno Henrique (34′ 2ºT, 39′ 2ºT), Lucas Paquetá (44′ 2ºT)
Cartões Amarelos Cusco: Soto, Carabajal, Manuel Tévez, Diez
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem Árbitro: José Javier Burgos (URU)
Assistentes: Pablo Llarena (URU), Hector Bergalo (URU)
VAR: Cristhian Ferreyra (URU)
Flamengo Andrew; Emerson Royal, Danilo, Vitão, Ayrton Lucas; Evertton Araújo (Pedro), Saúl (Lino), De La Cruz (Paquetá); Luiz Araújo (Pulgar), Plata, Bruno Henrique. Técnico: Leonardo Jardim.
Cusco Vidal; Ruidías, Fuentes, Gamarra, Zevallos; Soto (Valenzuela), Diez (Ampuero), Carabajal; Colito, Nicolas Silva (Manuel Tévez), Manzaneda (Colman). Técnico: Alejandro Orfila.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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