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Cuiabá cede empate fora e perde chance de encostar no G4

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Em uma partida eletrizante pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, o Cuiabá não conseguiu manter a vantagem e empatou em 1 a 1 com o Paysandu, na noite desta quinta-feira, no Estádio Leônidas Sodré de Castro, em Belém. O Dourado chegou a sair na frente com um golaço de Alejandro Martínez, mas viu Maurício Garcez igualar o marcador nos minutos finais, frustrando as ambições do time mato-grossense de se aproximar do grupo de acesso.

O duelo foi marcado pelo equilíbrio e pela persistência das equipes. O Cuiabá abriu o placar aos 32 minutos do primeiro tempo. Após receber um passe preciso de David, Alejandro Martínez demonstrou categoria ao acertar um chute potente de fora da área, sem chances para o goleiro adversário, colocando o Dourado em vantagem.

No entanto, o Papão da Curuzu não se entregou e buscou o empate na etapa final. Aos 43 minutos, Maurício Garcez, com frieza e precisão, converteu uma cobrança de pênalti, deixando tudo igual no placar e garantindo um ponto importante para o Paysandu em casa.

Situação na Tabela

O resultado teve impacto direto na classificação da Série B. Com o empate, o Cuiabá desperdiçou uma oportunidade de ouro para se aproximar do G4. A equipe chegou a 46 pontos, mantendo a sexta posição na tabela. Uma vitória o teria deixado com os mesmos 30 somados pelo Athletico-PR, quarto colocado, que tem um jogo a menos.

Para o Paysandu, o ponto conquistado, apesar de não tirar o time da lanterna, serve para dar um respiro. A equipe agora soma 26 pontos, ainda na última colocação, mas com o moral um pouco elevado por segurar um adversário que briga na parte de cima da tabela.

Próximos Confrontos

Na 31ª rodada da Série B, o Paysandu terá pela frente o Botafogo-SP na próxima terça-feira (7), às 21h35, no Estádio Santa Cruz. Já o Cuiabá jogará em casa contra o Novorizontino, na próxima quarta-feira (8), às 19h, na Arena Pantanal, buscando reencontrar o caminho da vitória e retomar a perseguição ao G4.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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