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Cruzeiro goleia o Vitória em estreia de Artur Jorge, mas segue na zona de rebaixamento

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O Cruzeiro deu um sinal de recuperação no Campeonato Brasileiro ao golear o Vitória por 3 a 0 na noite desta quarta-feira (data, se disponível), no Mineirão, pela nona rodada da competição. A partida marcou a bem-sucedida estreia do técnico português Artur Jorge no comando da Raposa, que conquistou seus primeiros três pontos jogando em casa no torneio. Christian, Kauã Moraes e Kaio Jorge foram os artilheiros da noite.

Apesar do expressivo triunfo, o Cruzeiro não conseguiu deixar a zona de rebaixamento. Com sete pontos, a equipe mineira ocupa a 18ª colocação. Já o Vitória, com dez pontos, está na 10ª posição na tabela.

Primeiro tempo 

O jogo começou com o Cruzeiro buscando o ataque. Logo aos cinco minutos, Christian chegou a balançar as redes após rebote de Fabrício Bruno em escanteio, mas o gol foi anulado pelo VAR devido a um toque de mão do atacante. Aos 19, Arroyo também teve uma boa chance, mas parou no goleiro Lucas Arcanjo.

Aos 33 minutos, a insistência cruzeirense foi recompensada. Matheus Pereira deu passe para Christian, que ajeitou e soltou um potente chute de fora da área, abrindo o placar para o time da casa. Apenas dois minutos depois, Kauã Moraes ampliou com um golaço. Após lançamento de Matheus Cunha, o jovem dominou, driblou Nathan e finalizou com precisão da entrada da área.

Não demorou para o terceiro gol. Aos 38, Matheus Pereira fez um lançamento preciso na segunda trave, Christian escorou de cabeça e Kaio Jorge apareceu para completar para o fundo das redes, transformando a vitória em goleada ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa, com a vantagem construída, o Cruzeiro administrou a posse de bola e controlou a partida, evitando que o Vitória criasse grandes oportunidades e garantindo o placar elástico.

Próximos desafios

Cruzeiro se prepara para um difícil confronto fora de casa. No sábado, 04 de abril de 2026, a Raposa enfrenta o São Paulo no Morumbis, às 18h30 (de Brasília), pela décima rodada do Brasileirão.

O Vitória, por sua vez, tentará se recuperar no domingo, 05 de abril de 2026, quando visita a Chapecoense na Arena Condá, às 16h (de Brasília), também pelo Campeonato Brasileiro.

Aqui estão as informações em formato de tabela:

FICHA TÉCNICA

Competição Placar Local Data Horário
Campeonato Brasileiro Cruzeiro 3 x 0 Vitória Mineirão 01 de abril de 2026 (quarta-feira) 20h (de Brasília)

Gols

Time Jogador Minuto
Cruzeiro Christian 33′ do 1ºT
Cruzeiro Kauã Moraes 35′ do 1ºT
Cruzeiro Kaio Jorge 38′ do 1ºT

Cartões

Tipo de Cartão Time Jogadores/Técnicos
Amarelo Cruzeiro Matheus Pereira
Amarelo Vitória Emmanuel Martínez, Cacá, Baralhas
Vermelho Ambos Nenhum

Arbitragem

Função Nome Estado
Árbitro Yuri Elino Ferreira da Cruz RJ
Assistente 1 Luiz Claudio Regazone RJ
Assistente 2 Daniel de Oliveira Alves Pereira RJ
VAR Daniel Nobre Bins RS

Escalações

Cruzeiro: Matheus Cunha; William (Fagner), Fabrício Bruno, Villalba e Kauã Moraes; Matheu Henrique, Gerson (Lucas Romero) e Matheus Pereira; Arroyo (Wanderson), Christian (Bruno Rodrigues) e Kaio Jorge (Francisco da Costa).Técnico: Artur Jorge

Vitória: Lucas Arcanjo; Nathan, Camutanga, Cacá e Ramón; Emmanuel Martínez (Edenílson), Baralhas e Matheuzinho (Zé Vitor); Erick (Silva), Aitor (Tarzia) e Renzo López (Renê). Técnico: Dorival Júnior

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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