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Corinthians vence Santos sem Neymar e garante vaga na final do Paulistão após seis anos
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O Corinthians está de volta à final do Campeonato Paulista! Neste domingo, o Timão superou o Santos, que não contou com a presença de Neymar em campo, por 2 a 1, na Neo Química Arena, e garantiu a vaga na decisão estadual. Os gols da vitória foram marcados por Yuri Alberto e Rodrigo Garro, enquanto Tiquinho Soares descontou para o Peixe. O resultado alivia a pressão sobre o técnico Ramón Díaz e coloca o Corinthians em uma final de Paulistão após seis anos.
A partida foi marcada pela ausência de Neymar, que permaneceu no banco de reservas durante todo o jogo, e pela atuação decisiva de Yuri Alberto e Rodrigo Garro, que garantiram a vitória e a classificação para o Corinthians.
Agora, o Timão aguarda o vencedor do confronto entre Palmeiras e São Paulo, que se enfrentam nesta segunda-feira no Allianz Parque, para conhecer seu adversário na grande final. As datas e horários das partidas decisivas ainda não foram divulgadas, mas estão previstas para os dias 16 e 27 de março.
O Jogo
O Corinthians começou a partida com tudo e abriu o placar logo aos 11 minutos, com Yuri Alberto aproveitando cruzamento de Memphis após cobrança de escanteio. O Santos, com dificuldades para criar jogadas, conseguiu empatar aos 37 minutos, com Tiquinho Soares desviando cobrança de escanteio para o fundo das redes.
No segundo tempo, o Corinthians voltou a ficar à frente do placar aos 11 minutos, com um belo gol de Rodrigo Garro, que acertou um chute no ângulo após receber passe de Angileri. O Santos tentou reagir, mas esbarrou na defesa do Corinthians e ainda teve o zagueiro Zé Ivaldo expulso aos 35 minutos.
Com a vantagem numérica, o Corinthians apenas administrou o resultado até o apito final e garantiu a vaga na final do Campeonato Paulista.
O Corinthians enfrenta o Barcelona de Guayaquil na próxima quarta-feira, na Neo Química Arena, pelo jogo de volta da terceira fase da Libertadores, já o Santos se prepara para a estreia no Campeonato Brasileiro, contra o Vasco, em São Januário.
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 2 X 1 SANTOS
Local: Neo Química Arena, em São Paulo
Data: 09/03/2025
Horário: às 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Matheus Delgado Candançan
Assistentes: Neuza Inês Back e Evandro de Melo Lima
VAR: Adriano de Assis Miranda
Cartões amarelos: Angileri, Charles, Memphis Depay e Alex Santana (Corinthians); Gil (Santos)
Cartões vermelhos: Zé Ivaldo e Escobar (Santos)
GOLS: Yuri Alberto, aos 11′ do 1ºT (Corinthians); Tiquinho Soares, aos 37′ do 1ºT (Santos); Rodrigo Garro, aos 10′ do 2ºT (Corinthians)
CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho, Félix Torres, Gustavo Henrique e Angileri (Matheus Bidu); Raniele (Ryan), José Martínez, André Carrillo (Breno Bidon) e Rodrigo Garro (Alex Santana); Memphis Depay e Yuri Alberto (Romero). Técnico: Ramón Díaz
SANTOS: Gabriel Brazão; JP Chermont (Leo Godoy), Gil, Zé Ivaldo e Escobar; João Schmidt, Gabriel Bontempo (Rollheiser) e Thaciano (Barreal); Soteldo, Guilherme e Tiquinho Soares (Deivid Washington). Técnico: Pedro Caixinha
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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