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Corinthians perde para o Juventude e chega a cinco jogos sem vitória no Brasileirão
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A ressaca pós-classificação na Copa do Brasil bateu forte no Corinthians. Na noite desta segunda-feira (11-08), em Caxias do Sul, o Timão jogou abaixo do esperado e foi superado pelo Juventude por 2 a 1, resultado que interrompeu o momento de euforia e ampliou a sequência negativa no Campeonato Brasileiro: já são cinco rodadas sem vencer. No Alfredo Jaconi, Gabriel Taliari e Matheus Babi garantiram o triunfo dos gaúchos; Matheuzinho diminuiu em cobrança de falta nos minutos finais.
Com o placar, a equipe de Dorival Júnior permanece no 13º lugar, somando 22 pontos — seis acima do Z4. O Juventude, apesar do resultado positivo na estreia do técnico Thiago Carpini, continua na vice-lanterna, com 14 pontos.
O jogo
Primeiro tempo de controle estéril do Corinthians: o time visitante ficou mais com a bola, mas produziu pouco. O Juventude, compacto e atento às costas da defesa alvinegra, foi cirúrgico quando acelerou.
Aos 26 minutos, Mandaca recebeu pela direita e cruzou açucarado na pequena área. Taliari apareceu no tempo certo e testou firme no canto, sem chance para Hugo Souza: 1 a 0.
O Papo quase ampliou aos 37: Gabriel Veron bateu forte de média distância, exigindo boa defesa do goleiro corinthiano.
Etapa final
Mesmo em desvantagem, o Corinthians demorou a transformar posse em finalizações claras. A primeira chegada realmente perigosa veio aos 17: Garro escapou pela direita e cruzou na medida para Talles Magno, que cabeceou na rede pelo lado de fora.
O Juventude respondeu de imediato, aos 19, em transição rápida. Ênio disparou pela direita e rolou para Mandaca, que chegou batendo de primeira; a bola raspou a trave de Hugo Souza, mantendo o jogo aberto.
Aos 35, o golpe que encaminhou a vitória: Nenê levou a melhor sobre Matheuzinho na corrida pela esquerda, alcançou a linha de fundo e cruzou rasteiro. Matheus Babi dominou dentro da área, girou com categoria e mandou para o fundo das redes: 2 a 0.
O Corinthians ainda esboçou reação. Aos 44, Matheuzinho acertou uma bela cobrança de falta, vencendo a barreira e o goleiro, para diminuir. Nos acréscimos, o Timão tentou o abafa, mas parou na boa organização defensiva do Juventude e não conseguiu o empate.
Panorama na tabela
- Corinthians: 13º colocado, 22 pontos, distância de seis pontos para a zona de rebaixamento. A sequência sem vitórias no Brasileirão chega a cinco jogos, o que pressiona por reação imediata para evitar a aproximação do bloco de baixo.
- Juventude: vice-lanterna com 14 pontos, mas ganha fôlego com a estreia vitoriosa de Thiago Carpini e mostra sinais de reestruturação, sobretudo pela solidez defensiva e eficiência nos contragolpes.
Próximos compromissos
- Corinthians x Bahia — sábado, 21h (de Brasília), na Neo Química Arena, pela 20ª rodada do Brasileiro.
- Vitória x Juventude — sábado, 18h30, no Barradão, também pelo Brasileirão.
FICHA TÉCNICA
JUVENTUDE 2 X 1 CORINTHIANS
Local: Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS)
Data: 11/08/2025
Horário: às 20h (de Brasília)
Árbitro: Lucas Casagrande (PR)
Assistentes: Rafael Trombeta (PR) e Sidmar dos Santos Meurer (PR)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)
Cartões amarelos: Cipriano, Taliari, Gilberto, Jadson, Giraldo e Ênio (Juventude); Matheus Bidu, José Martínez, Cacá, Angileri e Breno Bidon (Corinthians)
Cartões vermelhos: Romero (Corinthians)
GOLS: Taliari, aos 26′ do 1ºT (Juventude); Matheus Babi, aos 35′ do 2ºT (Juventude); Matheuzinho, aos 44′ do 2ºT (Corinthians)
JUVENTUDE: Ruan Carneiro; Reginaldo, Abner, Cipriano e Marcelo Hermes; Caíque (Giraldo), Jadson e Mandaca (Alan Ruschel); Gabriel Veron (Nenê), Taliari (Matheus Babi) e Gilberto (Ênio). Técnico: Thiago Carpini
CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho (Gui Negão), Gustavo Henrique e Matheus Bidu (Angileri); Raniele (Charles), José Martínez (Dieguinho), Breno Bidon e Rodrigo Garro; Talles Magno (Romero) e Yuri Alberto. Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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