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Corinthians perde invencibilidade na Libertadores após revés para o Platense na Neo Química Arena
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O Corinthians sofreu sua primeira derrota na fase de grupos da Copa Libertadores ao ser batido pelo Platense por 2 a 0, nesta quarta-feira (27.05), em partida disputada na Neo Química Arena. O confronto, válido pela última rodada desta etapa, foi marcado por duas falhas decisivas do goleiro Hugo Souza, que acabaram custando a invencibilidade do time paulista no torneio continental. Apesar do resultado negativo, o Alvinegro garantiu a classificação para as oitavas de final como líder do Grupo E, somando 11 pontos. O triunfo também carimbou o passaporte do time argentino, que avançou na segunda colocação da chave com 10 pontos.
Os dois clubes agora aguardam o sorteio oficial da Conmebol para conhecer seus respectivos adversários na fase de mata-mata. O evento que definirá os confrontos das oitavas de final será realizado nesta sexta-feira, a partir das 12h, na sede da entidade em Luque, no Paraguai.
O jogo
O Platense surpreendeu os donos da casa logo no início do jogo e abriu o placar aos 17 minutos do primeiro tempo. Após uma cobrança de escanteio, Hugo Souza saiu mal do gol e a bola acabou batendo no braço do meio-campista Rodrigo Garro dentro da área. Com o auxílio do árbitro de vídeo, a penalidade máxima foi assinalada e convertida por Franco Zapiola. Atrás no marcador, o Corinthians tentou pressionar, mas demonstrou pouca inspiração sob o comando de Fernando Diniz, errando muitos passes. A melhor chance do Timão na etapa inicial veio aos 43 minutos, quando Memphis Depay driblou dois defensores e finalizou em cima do goleiro Borgogno. Nos acréscimos, Hugo Souza ainda se redimiu temporariamente ao espalmar um chute de longa distância de Zapiola.
No intervalo, Diniz promoveu duas alterações na equipe para tentar dar mais volume ofensivo ao Corinthians. No entanto, aos 11 minutos da etapa complementar, uma nova falha do goleiro corintiano comprometeu a reação. Hugo Souza errou na saída de bola com os pés e entregou a posse diretamente nos pés de Zapiola, que finalizou por cobertura para ampliar a vantagem do Platense.
Nos minutos finais, o Corinthians esboçou uma última pressão e chegou a ter um pênalti assinalado a seu favor aos 43 minutos, após Breno Bidon ser derrubado na grande área. Contudo, após recomendação do VAR, o árbitro revisou o lance na cabine de transmissão e optou por anular a marcação, mantendo o placar de 2 a 0 até o apito final.
Próximo jogo do Corinthians
- Grêmio x Corinthians (18ª rodada do Brasileirão)
- Data e horário: 30/05 (sábado), às 17h30 (de Brasília)
- Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Corinthians 0 x 2 Platense | |
| Competição | Copa Libertadores (6ª rodada da fase de grupos) |
| Local | Neo Química Arena, São Paulo (SP) |
| Data e Horário | 27 de maio de 2026 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília) |
| Público | 39.767 torcedores |
| Renda | R$ 2.909.567,98 |
| Gols | Platense: Franco Zapiola (20′ 1ºT, 11′ 2ºT) |
| Cartões Amarelos | Platense: Agustín Lagos, Juan Gauto Corinthians: Matheuzinho, Allan |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Alexis Herrera (VEN) Assistentes: Alberto Ponte (VEN), Erizon Nieto (VEN) VAR: Reyes Soto (VEN) |
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique, Matheus Bidu; Raniele (Zakaria Labyad), Allan (André Carrillo), Breno Bidon, Rodrigo Garro (Jesse Lingard); Memphis Depay (Kaio César), Yuri Alberto (Pedro Raul). Técnico: Fernando Diniz. |
| Platense | Matías Borgogno; Agustín Lagos (Juan Saborido), Ignacio Vázquez, Victor Cuesta, Tomás Silva; Iván Gómez (Santiago Dalmasso), Martín Barrios, Maximiliano Amarfil; Nicolás Retamar (Leonardo Heredia), Juan Gauto (Mateo Mendía), Franco Zapiola (Santiago Quirós). Técnico: Walter Zunino. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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