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Corinthians com time misto arranca empate contra o Botafogo
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Em um confronto válido pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians, mesmo com uma formação alternativa, conquistou um importante empate por 1 a 1 contra o Botafogo, neste sábado, no Estádio Nilton Santos. A partida, marcada por diferentes momentos para as equipes, teve gols de Arthur Cabral para o alvinegro carioca e Memphis Depay, que garantiu o ponto para o Timão já na reta final.
A decisão do técnico Dorival Júnior de poupar titulares visando o clássico decisivo pela Copa do Brasil contra o Palmeiras, na próxima quarta-feira, ficou evidente no desempenho da equipe paulista no primeiro tempo. O Corinthians se viu sufocado pelo Botafogo, que dominou as ações e abriu o placar com Arthur Cabral aos 24 minutos, após boa jogada aérea que culminou em um cabeceio de Nathan Fernandes para a área. O goleiro Hugo Souza chegou a fazer uma grande defesa em chute de Newton, mas não evitou o gol botafoguense.
A estratégia mudou na segunda etapa. Com as entradas de Memphis Depay e Yuri Alberto, o Corinthians ganhou mais agressividade e presença ofensiva. O ímpeto alvinegro foi visível, com chances claras de empate perdidas por Breno Bidon e Yuri Alberto, que ficou cara a cara com o goleiro John. A persistência foi recompensada aos 37 minutos, quando Memphis Depay, aproveitando a sobra de uma jogada na área, finalizou de primeira com a perna direita, sem chances para o goleiro do Botafogo, selando o 1 a 1.
Com o resultado, o Corinthians soma 21 pontos e sobe provisoriamente para a oitava posição na tabela do Brasileirão. O Botafogo, por sua vez, estaciona nos 26 pontos, permanecendo na quinta colocação.
Agora, as atenções do Timão se voltam para o aguardado Derby contra o Palmeiras, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O clássico está agendado para a quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Já o Botafogo, um dia antes, às 19h, receberá o Red Bull Bragantino, também pelas oitavas da competição nacional.
FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 1 X 1 CORINTHIANS
Local: Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 26/07/2025
Horário: 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
VAR: Wagner Reway (SC)
Cartões amarelos: João Pedro Tchoca, Angileri e Dorival Júnior (Corinthians); Barboza, Ponte e Allan (Botafogo)
GOLS: Arthur Cabral, aos 24′ do 1ºT (Botafogo); Memphis Depay, aos 37′ do 2T (Corinthians)
BOTAFOGO: John; Mateo Ponte (Vitinho), Kaio Fernando, Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Newton, Allan e Joaquín Correa (Savarino); Nathan Fernandes (Santi Rodríguez), Montoro (Barrera) e Arthur Cabral. Técnico: Davide Ancelotti
CORINTHIANS: Hugo Souza; Léo Mana (Matheuzinho), Cacá, João Pedro Tchoca e Angileri; Raniele, Charles (Memphis Depay), Luiz Gustavo Bahia (Breno Bidon) e André Carrillo; Talles Magno (Matheus Bidu) e Romero (Yuri Alberto). Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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