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Atlético-MG vence o São Paulo na Arena MRV e quebra invencibilidade no Brasileirão
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Em um confronto disputado na Arena MRV, o Atlético Mineiro conquistou uma vitória importante por 1 a 0 sobre o São Paulo, na noite desta quarta-feira (18.030, pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol decisivo foi marcado pelo zagueiro Iván Román no segundo tempo, garantindo três pontos vitais para o Galo e, de quebra, encerrando a impressionante sequência invicta do Tricolor paulista, que chegou à partida como líder da competição, e deixou a Arena como vice-líder.
O jogo
A primeira etapa foi marcada por um duelo intenso e muito físico, com as equipes se estudando e apostando no jogo truncado. O São Paulo, sob o comando de Roger Machado, buscava manter a posse de bola e criar jogadas, enquanto o Atlético, dirigido por Eduardo Domínguez, procurava espaços para infiltrar na defesa adversária.
As oportunidades surgiram para ambos os lados. Pelo Galo, Hulk arriscou em cobranças de falta e Tomás Pérez obrigou o goleiro Rafael a fazer uma grande defesa. Do lado tricolor, Jonathan Calleri e André Silva tiveram chances, mas encontraram o goleiro Everson atento, garantindo o placar zerado até o intervalo, após uma pausa para hidratação aos 29 minutos.
Segundo tempo
A segunda etapa começou com mais dinamismo, e as substituições foram cruciais para o desfecho da partida. O São Paulo promoveu as entradas de Lucas Moura e Luciano na tentativa de dar mais poder ofensivo à equipe. Contudo, foi o Atlético quem abriu o marcador aos 19 minutos: após levantamento de Bernard na área e desvio de Alan Franco, Iván Román apareceu na pequena área para completar de cabeça e balançar as redes da Arena MRV.
A alegria do São Paulo com as mudanças durou pouco. Pouco depois de entrar, o atacante Lucas Moura sentiu um problema físico após um lance com Alan Franco e precisou ser substituído, gerando preocupação na comissão técnica tricolor.
Com a vantagem no placar, o Atlético buscou controlar a partida, enquanto o São Paulo, mesmo com as trocas e a entrada de Ferreira e Cédric Soares, intensificou a pressão em busca do empate. Luciano, em especial, teve boas chances, incluindo um chute perigoso de fora da área defendido por Everson e outro que passou perto do gol. Iván Román ainda recebeu um cartão amarelo por reclamação aos 29 minutos da segunda etapa, e Enzo Díaz do São Paulo foi advertido nos acréscimos por uma falta de ataque.
Apesar dos sete minutos de acréscimo e da intensa pressão final do São Paulo, a defesa atleticana se manteve firme, garantindo a vitória por 1 a 0.
Implicações na tabela
Com o resultado, o Atlético Mineiro, que vinha pressionado na 16ª colocação, respira aliviado e soma importantes pontos. Já o São Paulo, que chegou invicto e na liderança, sofre sua primeira derrota no campeonato, mas mantém uma campanha sólida.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| ATLÉTICO-MG 1 x 0 SÃO PAULO | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (7ª rodada) |
| Local | Arena MRV, em Belo Horizonte (MG) |
| Data | 18 de março de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 20h (de Brasília) |
| Público | 36.830 torcedores |
| Cartões Amarelos | Iván Román (Atlético-MG) e Enzo Díaz (São Paulo) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Gols | |
| Atlético-MG | Iván Román, aos 18′ do 2ºT |
| Arbitragem | |
| Árbitro | Fernando Antônio Medeiros de Salles |
| Assistentes | Rafael da Silva Alves e Alessandro Álvaro Rocha |
| VAR | Caio Max |
| Escalações | |
| Atlético-MG | Everson; Preciado, Iván Román, Junior Alonso e Renan Lodi; Perez (Bernard), Alan Franco, Victor Hugo; Cuello (Lyanco), Cassierra (Dudu) e Hulk. Técnico: Eduardo Domínguez. |
| São Paulo | Rafael; Maik (Cedric), Alan Franco, Sabino e Enzo Díaz; Danielzinho (Ferreirinha), Bobadilla, Marcos Antônio e Cauly (Lucas Moura) (Tapia); André Silva (Luciano) e Calleri. Técnico: Roger Machado. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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