Cultura
Sítio arqueológico com pinturas rupestres é identificado no Maranhão
Cultura
Um novo sítio com pinturas rupestres foi identificado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no interior do Estado do Maranhão. O arqueólogo da Superintendência do Iphan maranhense, Cleberson Carlos, participou de uma expedição, entre os dias 11 e 15 de agosto, para fiscalizar a chance de existirem sítios com registros rupestres na região de São Domingos do Maranhão. A literatura arqueológica já apontava, desde 1985, a possibilidade de espaços históricos naturais.

A expedição confirmou três sítios com pinturas rupestres já descritos anteriormente, Abrigo Bacupari, Casa de Pedra e Cocal de Dentro, e identificou ainda um novo sítio, com gravuras, denominado Casa de Pedra do Gleison, localizado na área de uma fazenda, que fica na Comunidade Tranqueira, em São Domingos do Maranhão.
A equipe do Iphan destaca que ao longo dos anos, é o proprietário da fazenda que tem se dedicado à conservação da área, afastando possíveis vândalos e desenvolvendo, em parceria com as escolas locais, importantes ações de educação patrimonial no município. Nos 4 sítios fiscalizados, as pinturas rupestres são feitas com pigmentos aplicados sobre a rocha, enquanto as gravuras rupestres são imagens incisas ou entalhadas diretamente na rocha.
Segundo o arqueólogo, o Abrigo Bacupari é o que apresenta os registros mais preservados. Já os sítios Casa de Pedra e Cocal de Dentro apresentam apenas resquícios mínimos das pinturas. Os quatro sítios têm em comum o fato de estarem inseridos em formações de rocha arenítica.
O Iphan orienta que caso alguém localize um possível achado arqueológico, não divulgue amplamente em redes sociais, pois a divulgação prematura pode atrair curiosos, vândalos e causar danos ao local. As medidas iniciais são utilizar o GPS do celular para saber a localização exata de onde está a pintura ou gravura ou, caso não tenha não esteja com o telefone ou nenhum dispositivo de coordenadas, prestar atenção em elementos da paisagem como árvores, montanhas, estradas para poder localizar o achado posteriormente. O procedimento seguinte é informar a descoberta ao escritório técnico do Iphan mais próximo.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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