Cultura
São Pedro e São Marçal: festejo dos Bois chega ao ápice em São Luís
Cultura
Um dos momentos mais aguardados do São João do Maranhão é o encontro de Bumba Bois na Capela de São Pedro, que reúne milhares de turistas, devotos e centenas de brincantes todos os anos. 

Desde o começo da noite desse sábado (28) e durante toda a madrugada e manhã deste domingo, os grupos de Bumba Boi do Maranhão, que se apresentaram pela região metropolitana, fizeram um cortejo na Capela de São Pedro, na capital maranhense, em comemoração ao Dia de São Pedro.
Há mais de 80 anos os grupos que realizam a tradição vão se revezando um a um no entorno e entram na capela, seja para cumprir promessas ao santo ou para agradecer pelo período junino.
O público acompanhou a celebração, que uniu cultura e religiosidade, geralmente com matracas, pandeirões e outros instrumentos típicos do Bumba Meu Boi do Maranhão.
E em mais uma demonstração do sincretismo, em paralelo à visita à capela, vários grupos e centenas de pessoas também passaram durante a madrugada pela Casa das Minas. Os grupos de bumba boi, apesar de não terem ligação direta com a religião, se apresentam em frente ao terreiro de culto afro-religioso de origem Jeje, fundado há mais de 300 anos.
E nesta segunda-feira (30) tem devoção a mais um Santo Junino: São Marçal, mas esse não é reconhecido oficialmente pela Igreja Católica. Milhares de pessoas e brincantes dos grupos de Bumba Boi, principalmente de Sotaque de Matraca homenageiam São Marçal desde as primeiras horas da manhã do dia 30 de junho em São Luís, evento que acontece há mais de 95 anos.
São Marçal é considerado o protetor dos brincantes do bumba meu boi do Maranhão e a celebração marca o fim dos festejos juninos no estado. 30 de Junho também é Dia Nacional do Bumba Meu Boi.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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