Cultura
São Marçal reúne grupos e celebra cultura do boi
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São Luís do Maranhão celebra nas primeiras horas da manhã desta terça-feira uma das principais festas populares da cidade, ligadas ao Auto do Bumba Boi do Maranhão: é o encontro de Bois nos festejos de São Marçal, no bairro do João Paulo. A festa que reúne milhares de pessoas e brincantes no tradicional encontro dos batalhões de bois de matraca também celebra o Dia Nacional do Bumba Meu Boi.

Antigamente a celebração marcava simbolicamente o fim do ciclo junino em São Luís, mas hoje, com os arraiás fora de época que seguem pelo mês de julho e as cerimônias de morte do boi que avançam ainda pelas semanas seguintes, pode-se dizer que o Festejo marca mesmo é o fechamento de uma temporada e o início de outra no calendário do São João ludovicense.
Esta é a edição de número 99 do festejo de São Marçal. A expectativa é que pelo menos 30 grupos de bumba meu boi de sotaque de matraca – também conhecido como sotaque Ilha – passem em cortejos pela Avenida São Marçal, cantando toadas, acompanhados por matracas, pandeirões e tambores-onça, para homenagear o santo, ao longo da terça-feira.
Apesar de não ser canonizado pela Igreja Católica, São Marçal é considerado o protetor dos brincantes do bumba meu boi do Maranhão. Símbolo de orgulho maranhense atualmente, a festa teve origem, segundo pesquisadores e mestres da cultura, como um movimento de resistência contra o preconceito no passado.
A Festa de São Marçal teria surgido a partir da proibição dos grupos de Bumba meu boi “brincarem” no Centro de São Luís para que fosse mantida a segurança, a ordem e a tranquilidade durante o São João. Mas esse ato encobria a discriminação e o preconceito contra a cultura do Bumba Boi maranhense pela sociedade. Como a polícia da época não deixava os boieiros avançarem para além dos limites do antigo bairro do Areal, onde hoje está o João Paulo, o bairro se tornou o ponto de encontro e também o símbolo de resistência dos grupos de Bumba Boi.
Cultura
Festival ressalta artes cênicas negras e afro-indígenas em São Luís
A capital do Maranhão será palco de encontros, espetáculos, performances, oficinas e experiências que celebram a potência das artes cênicas negras e afro-indígenas. São Luís recebe, a partir desta terça-feira(13) até o próximo sábado, o 1ª Festival de Artes Cênicas Pretas do Maranhão.

Além de artistas maranhenses, a programação – totalmente gratuita – é composta por artistas da Bahia, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que trazem para o palco diferentes linguagens.
A programação se concentra nos teatros Arthur Azevedo, Luiz Pazzini e o Teatro do Sesc – Napoleão Ewerton, além do Centro Cultural Vale Maranhão.
Durante os cinco dias de evento, os artistas usarão dança, teatro, performances e cenas curtas para levar ao público temas como ancestralidade, literatura negra, cultura popular e experiências sociais e culturais vivenciadas pela população preta.
A abertura acontece às 19h, no Teatro do Sesc Napoleão Ewerton, com a encenação do espetáculo Língua de Boi, da Cia Maranhense. Inspirado no grande mito da cultura maranhense, o grupo ressignifica o renascimento do boi e entrelaça os cinco estágios do luto aos cinco sotaques do Bumba Meu Boi para falar de dignidade, memória e resistência ancestral.
Outros destaques do Festival são os espetáculos A Flor do Mulungu, também do Maranhão; Cuidado com Nós e Parto Pavilhão, ambos de São Paulo; e Histórias da Terra, do grupo paranaense Baquetá.
Em paralelo, também estão previstas oficinas e apresentações em escolas públicas, acompanhadas de ações bate papo com os alunos.
A programação completa está disponível no perfil do evento no Instagram.
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