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Salvador e região realizam encontro cultural internacional de Capoeira

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A cidade de Salvador e outros três municípios da região metropolitana da capital baiana recebem a partir desta terça-feira o Encontro Cultural e Intercâmbio Internacional que vai debater e levar a cultura da Capoeira para a população. 

Com o tema “Capoeira, Alegria da Bahia”, o evento, que segue até o dia 31 de agosto, é promovido pela Associação Sociocultural e de Capoeira, Bloco Carnavalesco Afro Mangangá. 

Nove bairros de Salvador e as cidades de Lauro de Freitas, Simões Filho e Camaçari receberão ações do Projeto Artes em Movimento, desenvolvido pela Mangangá há 24 anos. 

O encontro também celebra o legado de Washington Bruno da Silva, o Mestre Canjiquinha, referência da Capoeira Angola, que se estivesse vivo estaria celebrando seu centenário. Ele faleceu em 1994. 

Cada núcleo terá uma programação diferenciada que envolve ações como oficinas de capoeira, maculelê, percussão, muzenza, samango e samba de roda; debates sobre a importância da capoeira como ferramenta de inclusão; políticas públicas voltadas para a prática da arte; peça de teatro; shows e bate papo sobre a figura de Mestre Canjiquinha.

A programação também conta com a Noite de Gala da Capoeira no Teatro 2 de Julho, que fica no bairro Federação, que terá entre outras atrações a exibição do documentário “Mestre Tonho Matéria – Vida de um Capoeira” e também o Festival Samba Reggae. 

Já no último dia do evento, em 31 de agosto, o Teatro da Universidade do Estado da Bahia terá apresentações artísticas, batizados, troca de graduação e formatura de capoeiristas. 

O calendário dia a dia do Intercâmbio Cultural está disponível no instagram do Mangangá, @blocodacapoeiraoficial




Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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