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Saiba como será o velório de Benedito Ruy Barbosa

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Os amantes da teledramaturgia brasileira acordaram nesta terça-feira com a notícia do falecimento de um de seus maiores novelistas. O autor Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos,  na capital paulista, por complicações de insuficiência renal. 

Segundo o Hospital do Coração, onde ele estava internado, há três anos, Benedito convivia com insuficiência renal crônica e por causa do diagnóstico passou por várias internações nos últimos anos.

O velório do novelista acontece ainda na tarde desta terça, a partir das 15h, e deve seguir até as 21h, no Funeral Home, no bairro Bela Vista, em São Paulo. Até às 16h, será aberto ao público, que poderá se despedir do autor. Em seguida o espaço ficará restrito a amigos e familiares; o corpo será cremado após o encerramento do velório.

Logo após o anúncio de seu falecimento, as redes sociais foram invadidas por demonstrações de afeto por parte da classe artística brasileira, personalidades da mídia, políticos e claro, milhões de brasileiros impactados de alguma maneira por sua obra.

O ator Eriberto Leão, que participou de três releituras de novelas do autor – Sinhá Moça, Cabocla e o protagonista da segunda versão de Paraíso, interpretando o “Filho do Diabo”, disse que “o povo se viu e poderá sempre se ver na sua integridade através de suas obras”.

Zezé Mota, que deu vida a personagem Bá, no remake de Sinhá Moça disse que o autor é um dos maiores gênios da dramaturgia brasileira.

Já  a atriz Cristiana Oliveira,que interpretou a  inesquecível Juma Marruá, na primeira versão da novela Pantanal disse que sempre terá gratidão pela oportunidade.

“Eu não tinha ideia do que que era fama, do que que era ser conhecida, entro completamente ingênua e sem nenhuma ansiedade nessa novela. E ele me fez, me deu o maior presente da teledramaturgia, que foi a Juma, que é inesquecível. Até hoje as pessoas falam e lembram com muita emoção. É uma gratidão tão imensa e tão eterna. Ele vai estar sempre no meu coração, ele vai estar sempre no meu agradecimento. A gente perde realmente uma lenda.”

Cristiana também destacou como Barbosa conseguia integrar com naturalidade em seu texto a verdade do ser humano e sem deixar de lado as características que fazem do formato novela  um sucesso.

“E o Benedito foi de uma sensibilidade através das personagens que ele escreveu, ele sempre foi no âmago do ser humano e do ser humano mais simples, do ser humano mais verdadeiro, mas sem perder as tramas de um folhetim. Então ele falava puramente sobre o amor, ele falava puramente sobre o bem e o mal, e ele contava a cultura, como contou a cultura pantaneira, então a realidade rural do Brasil, a pureza dos peões, e tudo isso muito bem costurado, muito bem elaborado.”

Para a colega de profissão de Benedito, a também novelista Glória Perez “um contador de histórias nunca se vai. Cada vez que alguém acessar as personagens, os universos que criou, ele estará lá, mais vivo que nunca”.

A página oficial da cantora Maria Bethânia, que participou da trilha sonora de várias novelas , como os clássicos “Tocando em Frente” e  “Pantanal”, da novela de mesmo nome, disse que o dramaturgo “foi um dos fundadores da teledramaturgia brasileira e o Brasil de Ruy Barbosa era o Brasil rural, com a sua poesia e estética bucólicas, a graça dos “causos” dos caipiras, mas também com as lutas do campo. Uma obra eterna.”

*Com produção de Beatriz Evaristo. 


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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