Cultura
Mostra em São Luís oferece imersão nos saberes do tambor de mina
Cultura
Uma das principais representações afro-religiosas do Maranhão, o tambor de mina ganha destaque em uma mostra especial a partir desta quarta-feira (27), em São Luís. 

A Casa do Tambor de Crioula, que fica no centro histórico da capital maranhense, recebe até o próximo sábado a mostra cultural “O Panteão dos Voduns: Divindades do Tambor de Mina Maranhense”, que oferece ao público visitante uma imersão nesta religião afro-brasileira que tem entre as características o culto aos espíritos indígenas (caboclos), divindades da Nação Jeje (os voduns) e os santos do catolicismo.
A expectativa é que a mostra, organizada pela Casa Ilê Ogu Oni Lonon Kpèntèn, contribua com a eliminação de estigmas e desconhecimento sobre o tambor de mina.
A programação diária, sempre de 9h às 18h, contará com oficinas práticas de saberes tradicionais e dos toques de tambores sagrados da tradição Jeje – o tambor da mata, o guia e o contra-guia -; a apresentação do tambor de crioula Rosas de Maria; roda de conversa com sacerdotes do Tambor de Mina, finalizando com toque de tambor conduzido pelo Toy Vodunno Leandro de Ogum.
Haverá, ainda, uma exposição de indumentárias sagradas acompanhadas de painéis explicativos.
A mostra também terá recursos imersivos para que o visitante possa vivenciar aspectos do universo dos voduns através de estímulos visuais, olfativos e sonoros. A entrada é gratuita. Outras informações no Instagram da Casa do Tambor de Crioula.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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