Cultura
Miacena ocupa praças e ruas de São Paulo com espetáculos culturais
Cultura
A segunda edição da Miacena, a Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais, segue até o próximo sábado, dia 1º de novembro, na capital paulista, com uma programação totalmente gratuita. O festival ocupa praças, museus, bares e ruas da cidade, com mais de 40 apresentações nacionais e internacionais. 

O idealizador da Miacena, André Acioli, explica que o evento surgiu da vontade de proporcionar uma conexão maior entre artistas e público.
“Às vezes o público diz que o teatro não é pra ele, ou que é de difícil acesso… então a gente falou aquela frase máxima que é ‘o artista vai aonde o povo está”, então vamos atrás do povo. Começamos nesse pensamento do marco zero, de dentro pra fora, mas com essa conexão de sempre expandindo para um dia, quem sabe, a gente consiga fazer uma mostra que consiga atender a todas as regiões de São Paulo”.
A programação reúne espetáculos de teatro, dança, circo e performance de cinco estados brasileiros e de países como Portugal, França e Argentina. A mostra também oferece ações formativas que pensam a sustentabilidade e a valorização do trabalho de quem atua nas artes.
Até sábado, ainda acontecem 15 atividades. André Acioli destacou as atrações do último dia da Miacena.
Entre os locais que recebem as atividades estão o Instituto Brasileiro de Teatro, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Teatro Cultura Artística e as ruas do centro. Todas as atrações são gratuitas e para as atividades em locais fechados os ingressos são distribuídos uma hora antes do espetáculo. Mais detalhes no site miacena.com.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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