Cultura
Maracatu Rural: tradição e resistência no Carnaval de Pernambuco
Cultura
O maracatu rural, ou maracatu de baque solto, teve origem nos engenhos da Zona da Mata de Pernambuco entre os séculos XIX e XX. Seus fundadores eram trabalhadores rurais. Ao longo dos anos, essa tradição incorporou elementos das culturas africanas, indígenas e europeias.

Um dos maiores especialistas em maracatu, Walter França, fala sobre as variações de maracatu:
“No maracatu pernambucano existem alguns tipos. Os mais tradicionais correspondem ao maracatu de baque virado, ou maracatu nação, e o outro é o maracatu de baque solto, ou também chamado de maracatu rural. Basicamente, essas são as diferenças entre os dois tipos de maracatu.”
Os primeiros registros desse folguedo datam de 1711, com maior presença no Recife, em Olinda e em cidades da Zona da Mata. O maracatu Cambinda Brasileira, fundado em 1918, é o mais antigo em atividade contínua no Brasil. O mestre Anderson Miguel falou mais sobre o maracatu e o caboclo de lança, figura que representa força, proteção e resistência:
“A Cambinda Brasileira carrega uma história muito rica na cultura. Feita por povo pobre, mas que ama o que faz. Muita coisa mudou a maneira de fazer maracatu hoje. Minhas fantasias mudaram também, o investimento é muito alto para se manter. O caboclo de lança é a figura importante do maracatu. É a função de guardião do maracatu. E quando ele se veste com a gola, com o chapéu, com a lança, ele toma toda a atenção do público. Mas, por trás da fantasia, tem muita história envolvida, começando pelo cravo que ele carrega na boca. Ali está toda a essência do caboclo, toda a sua proteção, todo o seu preparo, na nossa linguagem.”
O Cambinda Brasileira celebra 108 anos neste carnaval, sendo um dos maiores símbolos de resistência cultural e identidade do povo pernambucano.
Cultura
Violeiros se reúnem em Teresina para festival de repente
Teresina, no Piauí, será palco de grandes nomes da cultura popular em dois dias de muita poesia e música. Acontece nesta sexta-feira (14) e sábado, no Teatro de Arena, localizado na Praça da Bandeira, a 51ª edição do Festival de Violeiros do Norte e Nordeste.

As apresentações, com acesso gratuito para o público, acontecerão das 19h às 23h. No entorno do teatro, haverá comercialização de CDs, DVDs, folhetos de cordel, livros, artesanato e comidas típicas nordestinas.
Reconhecido como o maior espetáculo de repente da região, o festival, promovido pela Associação de Violeiros e Poetas Populares do Piauí e pela Casa do Cantador, reúne grandes nomes da cantoria de improviso de várias gerações. São artistas, poetas, cordelistas e admiradores da cultura popular que farão apresentações marcadas pela criatividade, musicalidade e raciocínio rápido, unindo letra e melodia. Na programação, haverá batalhas de repente, poesia cantada e exaltação à literatura de cordel, celebrando uma das mais importantes manifestações da cultura popular nordestina.
O festival, criado em 1972, integra este ano a programação do aniversário de Teresina, que completa 174 anos no próximo domingo, 16 de agosto.
*Com sonoplastia de Jailton Sodré
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