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Juazeiro do Norte: a cidade de Padre Cícero vira a cidade do reisado

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A Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), se transforma a partir de hoje em palco das apresentações da programação do Ciclo de Reis, que este ano tem como tema O Reinado da Tradição.  

Até a próxima segunda-feira (29), cerca de mil brincantes, de mais de 50 grupos farão apresentações abertas ao público, sempre a partir das 16h.


Brasília (DF), 05/01/2025 - Mestre Antônio Cândido. Dia de Reis. Foto: Antônio Cândido/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 05/01/2025 - Mestre Antônio Cândido. Dia de Reis. Foto: Antônio Cândido/Arquivo Pessoal

Ciclo de Reis em Juazeiro do Norte. Foto:  Antônio Cândido/Arquivo Pessoal

Roberto Viana, diretor de Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura, lembra que  diversas  manifestações culturais celebram e fomentam a cultura, a identidade e a religiosidade da região do Cariri cearense.

“São grupos de Reisado, Guerreiro, Maneiro Pau, Coco, Batamarteiro, Lapinha, Bandas Cabaçais, várias outras diversidades de grupos que estão aqui no nosso município”.

Roberto reforça que o evento é um momento em que aprendizado e a tradição do fazer cultural e da identidade de cada folguedo é compartilhada com o público.

“De um lado, a educação patrimonial, que faz com que estudantes, alunos, alunas e a comunidade geral possa ter contato com a memória e a história desses grupos. Cada um desses grupos, no momento da sua experiência cultural, realiza nos seus terreiros, nas suas casas, as suas tradições. E o ciclo de reis é um momento que engloba, que abraça todas essas tradições em uma grande mostra.


Brasília (DF), 05/01/2025 - Mestre Antônio Cândido. Dia de Reis. Foto: Antônio Cândido/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 05/01/2025 - Mestre Antônio Cândido. Dia de Reis. Foto: Antônio Cândido/Arquivo Pessoal

Mestre Antônio Cândido em Dia de Reis, no Juazeiro do Norte. Foto: Arquivo Pessoal

No próximo Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro, lapinhas e a tradicional queima de palhas, na residência da Mestra Vanda, marcarão o fechamento desse ciclo tão simbólico para católicos e para os fazedores da cultura popular.

No site e redes sociais da Prefeitura de Juazeiro do Norte é possível saber detalhes da programação dia a dia.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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