Cultura
Iphan lança “Bem Brasileiro”, plataforma que reúne acervo patrimonial
Cultura
O Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vai lançar nesta quarta-feira (8) a plataforma Bem Brasileiro, que reúne em um único ambiente digital todo acervo de itens imateriais registrados como Patrimônio Cultural do Brasil.

O site Bem Brasileiro vai incluir a coleção de mais de dois mil itens, separados entre fotos, vídeos, documentos e publicações. A plataforma foi desenvolvida pelo Iphan em conjunto com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e o Laboratório de Inteligência de Redes da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Brasília.
Segundo o presidente do Iphan, Leandro Grass, a proposta é aumentar a visibilidade dos bens imateriais reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan há 25 anos.
“Essa plataforma lançada agora vai facilitar o acesso das pessoas para entenderem o que são esses bens e, principalmente, para que possam se engajar na salvaguarda e na preservação dessas comunidades. Também possibilita o acesso ao território onde elas se encontram, o que pode dinamizar todo o processo de promoção do nosso patrimônio imaterial brasileiro, uma grande riqueza representada pelas pessoas.”
O site vai incluir ainda os pedidos de registros para o reconhecimento de um bem cultural, as ações de monitoramento e os projetos que o Iphan desenvolve após o reconhecimento ser feito.
Também será possível fazer buscas por diversos temas, sendo facilitado o cruzamento de pesquisas sobre temas comuns por meio de várias opções de filtros.
*Com supervisão de Roberta Lopes
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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