Cultura
Filme O Último Azul leva debate sobre etarismo ao cinema
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Uma senhora de 77 anos que é obrigada a sair de casa para viver em uma colônia habitacional de idosos, por ordens do governo. Tereza, porém, quer realizar seu último desejo antes de ser enviada para longe e embarca numa viagem pelos rios e afluentes da região amazônica.

TRAILER: “Ainda faltam três anos. A senhora precisa comparecer na prefeitura com urgência. Mas você não já sabia que tu ia para a colônia? Eu não sabia que era agora. Tem coisa que eu ainda quero fazer”.
Este é o mote do filme “O último azul”, que traz à tona uma discussão sobre envelhecimento em um Brasil distópico, explica o diretor do longa, Gabriel Mascaro.
“A gente queria fazer um filme sobre esse corpo idoso feminino que deseja, né, que pulsa no presente, que ressignifica a sua vida, né, aos 77 anos e a gente precisava dessa loucura aí para misturar essa história toda. Então, o filme começa com uma coisa meio distópica e, mas ele também se mistura com uma coisa mais fantástica, surreal. Em algum momento, o filme vai brincando com gênero e vai virando um coming of the age, né? Um gênero que é como se fosse um descoberta de de de maturação, né? Esse personagem passa por uma jornada de transformação, né, que a gente geralmente associa essa jornada a corpos jovens, né? Mas aqui não. É uma idosa, né, protagonista com toda energia, toda força. Enfim, um filme muito sincero sobre o desejo de sonhar, né?”
Denise Weinberg, protagonista do filme, fala sobre o processo de envelhecimento.
“É uma coisa feliz, é uma coisa alegre. A velhice não é uma coisa triste. Se você souber envelhecer, é uma sabedoria. E se você envelhecer fazendo o que você gosta, eu sou idosa, né? Tô aqui, ó, segurando o tranco, né? Mas eu acho que envelhecer é uma sabedoria e não ter auto piedade. ‘Agora eu quero que os filhos cuidem de mim, já cuidei de vocês, agora, não é isso, não”.
Além de Denise Weinberg, “O último azul” traz no elenco Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás.
O filme já recebeu diversos prêmios internacionais, como o Urso de Prata no Festival de Berlim deste ano, e o de Melhor Filme de Ficção Ibero-Americano, no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara no México, onde Denise também foi consagrada como melhor atuação.
A professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ivana Bentes afirma que o cinema nacional permite a redescoberta do Brasil.
“Temas brasileiros, a história brasileira, os personagens brasileiros, a paisagem brasileira, esse Brasil, tanto o Brasil urbano contou esse Brasil profundo. Então assim, é um cinema que eu acho que ele sempre tratou esse sistema, mas de repente ele ganhou, eu acho, em linguagem, eu acho que ele ganhou uma perspectiva global. O Gabriel Mascaro para mim, ele é a síntese desse nacional que que cria um interesse para além do Brasil pela sofisticação estética, que a gente precisa. Porque a gente fala de um monte de temas relevantes, importantes, sociais, as pautas de comportamento, mas caramba, a linguagem é tudo. A linguagem é o que comove, a linguagem é o que mobiliza. Então, eu sou convicta de que as mudanças políticas e as mudanças de mentalidade passam pela linguagem”.
O filme “O último azul” acaba de estrear em todo o país e até o dia 3 de setembro terá ingressos populares, a 10 reais, como parte da Semana do Cinema, em diversas salas espalhadas pelo Brasil.
*Colaborou Anna Karina de Carvalho, repórter da Agência Brasil.
Cultura
Galerias, curadores e colecionadores se encontram na Art.Pe, em Recife
Recife será um grande ponto de convergência entre galerias, projetos especiais, instituições, artistas, editores, curadores e colecionadores da arte contemporânea a partir desta quarta-feira (14). É que a capital pernambucana sedia até o próximo domingo a quinta edição da Art.Pe – a Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, um espaço que abriga um recorte da arte pós-moderna brasileira em diferentes linguagens.

O pavilhão de mais de 5 mil metros quadrados, no Recife Expo Center, reúne 75 expositores, incluindo 55 galerias de todas as regiões do Brasil, com atuação nacional e internacional, e ainda dois espaços para produções de arte da Argentina e Portugal.
o Art.Pe recebe também projetos especiais, instituições culturais, editoras e livrarias com novidades da arte contemporânea.
O espaço também abriga lojas de museus da Região Nordeste. Os participantes apresentam ao público as novidades do mercado da arte — pinturas, esculturas, fotografias, desenhos, gravuras, objetos em cerâmica, artes têxteis, entre outras.
Outro destaque da programação é a Arena BNB Cultural, que irá promover leituras individualizadas de portfólio de artistas do Nordeste, prêmios, lançamentos editoriais, momentos culturais e, principalmente, conversas sobre temas relevantes para o setor, conduzidas por convidados com diferentes atuações no campo artístico.
O acesso ao público na quarta-feira acontece das 17h30 às 21h. De quinta a sábado, de 13h às 21h. E no domingo entre 12h e 19h.
A programação dia a dia e as orientações de acesso disponíveis na página artpe.art.br.
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