Cultura
Festival Julho das Pretinhas leva cultura para crianças em Salvador
Cultura
Pequenas mãos criam, cantam e contam histórias neste mês de julho em Salvador. O Festival Julho das Pretinhas chega à sexta edição, levando às crianças atividades gratuitas feitas para elas e que nascem das vozes infantis. São oficinas, saraus, espetáculos e encontros em diferentes pontos da cidade, durante 5 dias, desta quarta a domingo.

Segundo a idealizadora Cássia Vale, esta edição traz novidades, como premiações e formações em comunidades. “A gente tem a novidade do troféu Julinho, que a gente tá fazendo esse troféu pensando em homenagear os educadores que trabalham nas suas escolas, nas suas instituições, nas suas comunidades. A gente tem a medalha Calu, que vai dar essa medalhinha para as crianças participantes. As nossas formações serão nas comunidades”.
Cássia Vale destaca ainda que o Julho das Pretinhas foi pensado como um território de afeto, criação e afirmação para crianças negras. “É ótimo ter roda de conversa para falar sobre elas, mas é muito bom quando elas vêm falar delas, sobre os quereres delas, sobre o universo onde elas estão inseridas. Isso é uma das coisas que eu mais acho que reverbera: é o falar das pretinhas com esse protagonismo. Percebo demais depoimentos dos próprios pais sobre como é bacana cada vez ver espetáculos onde a infância negra está ali sendo representada e o quanto isso reverbera nessas crianças que assistem e nos próprios pais”.
A abertura do Festival Julho das Pretinhas acontece nesta quarta-feira, às 14h30, com a exposição “Pretinhas Brincantes” no Museu Afro-brasileiro da UFBA, e o encerramento no domingo contará com o mini recital “Maria Felipa”.
Toda a programação é gratuita e pode ser conferida no Instagram @juliodaspretinhas.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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